A pesquisa CNT/MDA divulgada nesta terça-feira (11) mostra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva com 42% das intenções de voto no cenário estimulado para o primeiro turno da eleição presidencial de 2026. Flávio Bolsonaro aparece com 29%, enquanto os demais candidatos somam 15%. Brancos e nulos representam 7%, e outros 7% estão indecisos.
O resultado coloca Lula em uma posição matematicamente muito próxima de uma eventual vitória no primeiro turno — embora não seja correto dizer que ele já teria os 50% necessários. A diferença é importante porque a maioria exigida é calculada sobre os votos válidos, excluindo brancos e nulos.
A conta que aproxima Lula da vitória no primeiro turno
Pelos números arredondados apresentados no gráfico:
- Lula: 42%
- Flávio Bolsonaro: 29%
- Outros: 15%
- Branco/nulo: 7%
- Indecisos: 7%
Para calcular a proporção entre os candidatos, é preciso retirar da conta os 7% de brancos e nulos. Assim, os votos atribuídos a candidatos representam:
42 + 29 + 15 = 86 pontos percentuais.
Lula, portanto, teria 42 ÷ 86 = 48,84% dos votos destinados a candidatos.
Ou seja: com os números arredondados do gráfico, Lula estaria a cerca de 1,16 ponto percentual de alcançar 50% dos votos válidos.
Mas há uma peculiaridade importante: 50% exatos não bastam para vencer uma eleição presidencial no primeiro turno. É necessária a maioria absoluta dos votos válidos, isto é, mais de 50%.
Quanto Lula precisaria crescer?
Mantendo os demais candidatos constantes, basta imaginar uma transferência de votos de outros candidatos para Lula.
Se Lula passasse de 42% para 43%, enquanto o total de votos válidos permanecesse em 86%, teríamos: 43 ÷ 86 = 50%.
Isso significa empate matemático em 50%, e não maioria.
Para ultrapassar os 50%, Lula precisaria chegar a mais de 43% nesse cenário arredondado.
Com 44%, por exemplo: 44 ÷ 86 = 51,16%.
Nesse exemplo, Lula teria maioria absoluta dos votos válidos e poderia vencer a eleição no primeiro turno.
Usando os números exatos da pesquisa
Os números divulgados pela CNT/MDA têm casas decimais. Na pesquisa, Lula aparece com 42,4%, Flávio Bolsonaro com 28,7%, Ronaldo Caiado com 4,0%, Romeu Zema com 3,3% e Renan Santos com 2,8%.
O gráfico arredonda esses resultados e reúne os demais candidatos em “Outros”, que aparece com 15%.
Considerando os 42,4% de Lula, 28,7% de Flávio e os 15% de outros candidatos mostrados no gráfico, o universo de votos em candidatos fica em aproximadamente 86,1%.
A participação de Lula nesse universo seria: 42,4 ÷ 86,1 × 100 = 49,25%
Portanto, na fotografia atual, Lula está aproximadamente 0,75 ponto percentual abaixo de 50% dos votos destinados aos candidatos, usando essa composição.
Para ultrapassar a metade, bastaria uma pequena transferência de votos dos demais candidatos para Lula. Matematicamente, se os demais candidatos perderem pouco mais de 0,65 ponto percentual, e esse eleitorado migrar integralmente para Lula, ele ultrapassaria os 50% dos votos válidos.
Isso explica por que a pesquisa pode ser descrita como um cenário em que Lula está no limite matemático de uma vitória no primeiro turno, embora ainda não esteja efetivamente acima da marca.
A evolução é favorável a Lula
O aspecto mais relevante aparece quando se observa a série histórica apresentada no gráfico. Em abril, Lula tinha 39%. Flávio Bolsonaro aparecia com 30%.
Em junho, Lula subiu para 42%, enquanto Flávio caiu para 28%. Agora, em agosto, Lula permanece em 42%, e Flávio recupera um ponto, chegando a 29%.
A evolução foi:
| Candidato | Abril | Junho | Agosto | Variação abril-agosto |
|---|---|---|---|---|
| Lula | 39% | 42% | 42% | +3 p.p. |
| Flávio Bolsonaro | 30% | 28% | 29% | -1 p.p. |
| Outros | 11% | 15% | 15% | +4 p.p. |
| Branco/nulo | 10% | 8% | 7% | -3 p.p. |
| Indecisos | 9% | 7% | 7% | -2 p.p. |
O dado mais importante é que Lula ganhou 3 pontos desde abril e consolidou 42% em junho e agosto, enquanto Flávio Bolsonaro permanece abaixo do patamar de abril.
A vantagem de Lula sobre Flávio passou de 9 pontos em abril (39 a 30) para 14 pontos em junho (42 a 28) e agora está em 13 pontos (42 a 29).
A redução dos indecisos também importa
Outro movimento matematicamente relevante está nos eleitores que ainda não escolheram candidato. Os indecisos caíram de 9% em abril para 7% em agosto.
Ao mesmo tempo, brancos e nulos passaram de 10% para 7%. Isso significa que o conjunto de eleitores fora das candidaturas caiu de 19% para 14%.
Em outras palavras, houve uma redução de 5 pontos percentuais nesse grupo ao longo da série. Isso torna a disputa mais concentrada: uma parcela maior do eleitorado já está distribuída entre os candidatos.
Mas a margem de erro impede tratar a vitória como definida
Há uma ressalva fundamental. A CNT/MDA entrevistou 2.002 eleitores, e a margem de erro é de 2,2 pontos percentuais para mais ou para menos.
Portanto, os 42,4% de Lula não significam que exatamente 42,4% de todos os eleitores brasileiros votariam nele. O resultado é uma estimativa obtida a partir de uma amostra.
Da mesma maneira, não se pode transformar a proximidade matemática dos 50% em previsão de vitória no primeiro turno.
O que os números permitem afirmar é algo mais específico: Lula já concentra praticamente metade dos votos destinados aos candidatos no cenário estimulado da CNT/MDA. Se uma pequena parcela dos votos hoje atribuídos a outros candidatos migrar para ele, o presidente poderá ultrapassar matematicamente a maioria dos votos válidos.
A pesquisa, portanto, mostra uma situação particularmente favorável a Lula: 42,4% no primeiro turno, 13,7 pontos à frente de Flávio Bolsonaro no número exato divulgado e uma distância muito pequena da maioria absoluta dos votos válidos.