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Delação de ex-auditor fecha o cerco sobre esquema bilionário de corrupção na gestão Tarcísio

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Delação de ex-auditor fecha o cerco sobre esquema bilionário de corrupção na gestão Tarcísio

O ex-auditor fiscal Paulo Sérgio Siqueira do Prado, conhecido como “PP”, firmou um acordo de colaboração premiada com o Ministério Público de São Paulo no processo que investiga um esquema bilionário de propinas dentro da Secretaria da Fazenda paulista durante a gestão do governador Tarcísio de Freitas. Segundo apuração do g1, a Justiça homologou o acordo e determinou o desbloqueio dos bens e o levantamento das demais restrições patrimoniais impostas ao ex-servidor.

Paulo Sérgio é apontado pelos investigadores como um possível elo entre Artur Gomes da Silva Neto, conhecido como “Rei Artur”, e Alberto Toshio Murakami, apelidado de “Americano”. Os dois são tratados pela investigação como figuras centrais do grupo suspeito de favorecer empresas na liberação de s de ICMS em troca de pagamentos milionários.

De acordo com o Ministério Público, servidores instalados em setores estratégicos da Fazenda aceleravam a análise de pedidos e autorizavam s tributários supostamente inflados. Ultrafarma e Fast Shop estão entre as empresas citadas nas investigações. As responsabilidades individuais ainda são apuradas.

Os promotores esperam que a colaboração de Paulo Sérgio ajude a esclarecer o papel de aproximadamente 40 servidores públicos do governo Tarcísio de Freitas investigados nas operações Ícaro, Mágico de Oz e Fisco Paralelo. O conteúdo dos relatos e as provas que teriam sido entregues pelo colaborador não foram divulgados.

Aposentado desde 2024, Paulo Sérgio ocupou posições de destaque na Receita Estadual. Em 2014, foi nomeado inspetor fiscal da Delegacia Regional Tributária da Capital e posteriormente assumiu interinamente a chefia da Delegacia Regional Tributária da Capital II durante afastamentos de Marcelo Bergamasco Silva, atual subsecretário da Receita Estadual.

A primeira fase da Operação Ícaro foi deflagrada em agosto de 2025 e atingiu o auditor Artur Gomes, o fundador da Ultrafarma, Sidney Oliveira, e um diretor da Fast Shop. Em março deste ano, as operações Mágico de Oz e Fisco Paralelo ampliaram a investigação para unidades da Fazenda na capital e no interior. Cinco auditores foram demitidos pela secretaria em abril.

Artur Gomes está preso e é acusado pelo MP de ter recebido R$ 383,6 milhões em propinas. Alberto Murakami, que atuava na análise de ressarcimentos tributários, é considerado foragido e foi incluído na Difusão Vermelha da Interpol. Segundo os investigadores, ele estaria nos Estados Unidos.

A defesa de Paulo Sérgio não se manifestou até a publicação da reportagem. A homologação do acordo não confirma por si só as acusações nem comprova a responsabilidade das pessoas eventualmente mencionadas: as informações apresentadas pelo colaborador terão de ser verificadas e confrontadas com outras provas.

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