O governo de Israel rejeitou publicamente o plano de 15 pontos apoiado pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para o desarmamento do Hamas na Faixa de Gaza. A decisão, anunciada neste domingo (9) pelo primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, pode dificultar o avanço para a segunda fase do acordo de paz.
Netanyahu afirmou que as forças israelenses não deixarão as áreas de Gaza que ainda controlam enquanto o Hamas não estiver, segundo ele, “verdadeiramente desarmado”.
“Israel rejeita o documento de 15 pontos”, declarou o primeiro-ministro durante uma reunião do gabinete, de acordo com comunicado divulgado por seu governo.
Plano previa retirada gradual de Israel
A proposta apresentada pelo governo Trump estabelece um processo gradual para o fim do conflito. Entre as medidas previstas está a entrega das armas do Hamas a uma nova administração palestina em Gaza.
Em contrapartida, Israel faria uma retirada progressiva de mais da metade do território palestino que permanece sob seu controle.
O plano havia sido apresentado pelo chamado Conselho de Paz de Trump e, segundo o governo americano, contava com a aceitação do Hamas em relação ao processo de desarmamento.
O governo de Netanyahu já havia demonstrado ressalvas ao documento, afirmando que a proposta não representava integralmente as posições de Israel. Até então, porém, o primeiro-ministro não havia rejeitado publicamente o plano.
Netanyahu exige desarmamento do Hamas
Ao anunciar a rejeição, Netanyahu deixou clara a principal divergência com a proposta americana. Para o primeiro-ministro, qualquer retirada militar israelense deve ocorrer somente depois que o Hamas entregar suas armas.
A exigência é um dos principais pontos de impasse nas negociações. O grupo palestino mantém a resistência armada contra Israel como uma de suas principais bandeiras, enquanto o governo israelense considera o desarmamento do Hamas uma condição essencial para encerrar o conflito.
A posição de Netanyahu representa também um raro ponto de divergência pública com Trump, apesar da relação próxima entre os dois governos.
O impasse pode comprometer o avanço da segunda fase do plano de paz, que inclui medidas de estabilização, reconstrução e reorganização da administração da Faixa de Gaza.
Guerra em Gaza ainda deixa questões sem solução
Israel e Hamas chegaram a um cessar-fogo inicial apoiado pelos Estados Unidos em outubro do ano passado. A expectativa dos mediadores era que a trégua abrisse caminho para o encerramento da guerra.
No entanto, questões consideradas centrais ficaram pendentes, principalmente sobre quem terá o controle de Gaza e qual será o futuro militar e político do Hamas.
O conflito começou após o ataque liderado pelo Hamas contra Israel em 7 de outubro de 2023. Desde então, Netanyahu tem defendido uma “vitória absoluta” sobre o grupo.
Netanyahu também fala sobre o Irã
Durante a mesma reunião de gabinete, Netanyahu afirmou que Israel continuará atuando para impedir que o Irã desenvolva armas nucleares, independentemente do andamento das negociações entre Washington e Teerã.
“Com ou sem acordo, enquanto eu for primeiro-ministro, o Irã não terá armas nucleares”, afirmou.
A declaração ocorre em meio ao aumento das tensões entre Estados Unidos, Israel e Irã.
Segundo informações da Reuters, o governo iraniano afirmou que as negociações com Omã para estabelecer novas rotas de navegação no Estreito de Ormuz estão nos estágios finais. Teerã, porém, condiciona a reabertura da passagem ao atendimento de outras exigências feitas aos Estados Unidos.
O Estreito de Ormuz é uma das principais rotas utilizadas para o transporte internacional de petróleo e gás natural liquefeito. Antes do bloqueio promovido pelo Irã em resposta aos ataques americanos e israelenses, cerca de um quinto das remessas globais desses produtos passava pela região.
O chanceler iraniano, Abbas Araqchi, também afirmou que o país cobra compensações dos Estados Unidos pelos ataques sofridos, além do fim de ameaças e sanções.
Na região, os houthis, grupo aliado do Irã no Iêmen, reivindicaram ainda um ataque contra uma refinaria da Saudi Aramco em Jazan, na Arábia Saudita.