O Pix é o item que desperta maior confiança entre os brasileiros, com aprovação de 80% dos entrevistados pela pesquisa Genial/Quaest. O sistema de pagamentos instantâneos criado pelo Banco Central superou as outras 15 instituições e temas testados e entrou no centro da disputa política entre o presidente Lula e bolsonaristas.
Apenas 19% disseram não confiar no Pix, enquanto 1% não respondeu. A margem de erro do levantamento é de dois pontos percentuais. A pesquisa mediu pela primeira vez a confiança no sistema ao lado de instituições como Igreja Católica, Polícia Militar e Forças Armadas.
A Igreja Católica alcançou 76% de confiança e a Polícia Militar, 75%. As Forças Armadas mantiveram 70%, mesmo percentual dos entrevistados que afirmaram confiar no cônjuge.
O cientista político Murillo de Aragão, da consultoria Arko Advice, avaliou que o sistema se tornou um consenso no país. “O Pix se tornou algo como o Plano Real ou o Bolsa Família: ninguém hoje vai se posicionar contra ele, e todos os discursos tentam de alguma forma se apropriar do seu sucesso”, disse.
A confiança no Pix se mantém elevada em grupos de diferentes perfis ideológicos. Entre eleitores de direita não bolsonarista, 87% disseram confiar no sistema; entre os de esquerda não lulista, o índice chegou a 88%. Três em cada quatro independentes também declararam confiança.
O levantamento identificou redução discreta desse índice entre brasileiros mais velhos e de menor renda, mas a aprovação segue alta nesses segmentos. Para o coordenador do Laboratório de Opinião Pública e Mídias Digitais da FESPSP, Beto Vasques, o Pix se tornou uma “linha vermelha”, cujo funcionamento não deveria sofrer alterações por decisão de candidatos.
Em 2025, o governo Lula revogou uma norma da Receita Federal que ampliava regras de coleta de informações sobre transações financeiras após a oposição espalhar a informação falsa de que haveria taxação do Pix. Um vídeo do deputado Nikolas Ferreira (PL-MG) sobre o assunto alcançou 200 milhões de visualizações em poucos dias.
Nos últimos meses, Lula passou a defender o Pix em resposta aos ataques do governo de Donald Trump ao sistema brasileiro, vinculando o tema à soberania nacional. O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), por sua vez, afirma em entrevistas que o Pix seria “do Brasil e do Bolsonaro”, numa tentativa de associar sua criação ao governo de Jair Bolsonaro.
A pesquisa também apontou 57% de confiança na Presidência da República, três pontos acima do resultado de 2025. O Congresso Nacional chegou a 49%, o STF marcou 50% e os partidos políticos registraram 44%, embora 55% ainda tenham declarado desconfiança nas legendas.
A confiança nas urnas eletrônicas caiu de 78%, em 2022, para 65% no levantamento atual. Entre eleitores bolsonaristas, 73% disseram não confiar no STF, enquanto os árbitros de futebol receberam a maior taxa de desconfiança: 56% dos entrevistados afirmaram não confiar neles. Com informações do Globo.