O Pentágono pressionou fabricantes de armas a ampliar com urgência a produção de munições após a guerra contra o Irã levar parte dos estoques americanos a uma situação de “escassez extrema”. Um memorando obtido pelo The Washington Post aponta que o governo de Donald Trump quer acelerar entregas e expandir a capacidade industrial de itens considerados críticos. Com informações de O Globo.
Na quarta-feira (5), o subsecretário do Departamento de Guerra, Steve Feinberg, deu às principais fornecedoras das Forças Armadas prazo de 21 dias para apresentar planos capazes de antecipar entregas programadas ou elevar a produção. “Ciclos de desenvolvimento de anos não são aceitáveis”, escreveu Feinberg. “Nós devemos acelerar dramaticamente nossa programação e expandir nossa capacidade de produção agora.”
O porta-voz do Pentágono, Sean Parnell, confirmou a autenticidade do memorando e afirmou que o documento servirá de base para o pedido orçamentário do ano fiscal de 2028 ao Congresso. Ele declarou que a medida integra o esforço para reconstruir a base industrial de defesa dos Estados Unidos.
Parnell sustentou à rede ABC que a modernização da produção começou antes do conflito de cinco meses com o Irã. Segundo ele, o objetivo é fornecer “as armas que nossos guerreiros precisam no ritmo que a ameaça exige”.
Congresso ainda precisa liberar verba para novos contratos
A escassez de armas provocou tensão entre Trump e o Departamento de Guerra, relataram s ligadas ao tema ao jornal americano. A ampliação das encomendas depende da liberação, pelo Congresso, de US$ 1,15 trilhão — cerca de R$ 5,85 trilhões — em gastos de defesa, valor contestado por parlamentares democratas.
Trump adotou tom diferente em publicação na Truth Social na quinta-feira (6). O presidente afirmou que os Estados Unidos têm “quantidades enormes” de munição e que novas remessas estão em produção e chegam ao país “conforme o necessário”.
Em julho, a Casa Branca reuniu empresas como Lockheed Martin, Northrop Grumman, Boeing, Anduril e Palantir. A chefe de gabinete Susie Wiles e o secretário de Guerra, Pete Hegseth, pediram que as companhias pressionassem congressistas por um orçamento maior para a defesa. Contratos para munições de menor custo e interceptadores Patriot só avançam depois da aprovação dos recursos.
Os Estados Unidos dispararam mais de 850 mísseis de cruzeiro Tomahawk no primeiro mês da guerra e utilizaram mais de 1.300 mísseis balísticos táticos nas semanas iniciais, estimou o Washington Post. Análise do Centro de Estudos Estratégicos e Internacionais indicou que o estoque global de mísseis Patriot caiu de 2.200 unidades antes da guerra para menos de 827.