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Déficit das contas públicas dispara no primeiro semestre e atinge pior resultado desde 2020

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Déficit das contas públicas dispara no primeiro semestre e atinge pior resultado desde 2020

As contas do governo central encerraram o primeiro semestre de 2026 com um déficit primário de R$ 92,227 bilhões, o pior resultado para o período desde 2020 e o segundo maior da série histórica iniciada em 1997. O desempenho representa uma deterioração significativa em relação aos seis primeiros meses de 2025, quando o saldo negativo havia sido de R$ 11,277 bilhões.

Os números, divulgados pelo Tesouro Nacional nesta quinta-feira (30), refletem um crescimento das despesas em ritmo superior ao das receitas. Enquanto os gastos avançaram 12,3% acima da inflação no acumulado do semestre, as receitas tiveram expansão real de 5,2%, insuficiente para compensar o aumento das despesas públicas.

Segundo o governo, o principal fator para o agravamento das contas foi a antecipação do pagamento de precatórios — dívidas judiciais da União — além da concentração de parte das despesas discricionárias no início do ano.

Precatórios pressionam resultado fiscal

De acordo com o secretário do Tesouro Nacional substituto, David Athayde, a comparação entre 2025 e 2026 é fortemente influenciada pelo calendário de pagamentos.

“Essa diferença entre o acumulado do ano de 2026 para 2025 tem muito a ver com a questão dos precatórios, que neste ano foram pagos em março, sendo que em 2025 foram pagos em julho”, afirmou o secretário.

Athayde acrescentou que outras despesas também foram antecipadas por causa do calendário eleitoral.

“Além do que, temos aí uma antecipação de algumas despesas discricionárias, que por conta do calendário eleitoral acabaram tendo um pagamento mais forte no primeiro semestre comparado com o semestre do ano anterior.”

Nos últimos 12 meses encerrados em junho, o déficit primário acumulado chegou a R$ 144,1 bilhões, equivalente a 1,08% do Produto Interno Bruto (PIB). Nesse período, as despesas obrigatórias corresponderam a 17,76% do PIB, enquanto os gastos discricionários representaram 1,89%.

Apesar do resultado negativo, a meta fiscal para 2026 continua sendo um superávit primário equivalente a 0,25% do PIB, com margem de tolerância de 0,25 ponto percentual para cima ou para baixo.

No mais recente Relatório de Avaliação de Receitas e Despesas Primárias, o governo revisou para cima a projeção oficial de superávit ajustado para este ano, elevando a estimativa de R$ 4,1 bilhões para R$ 10,8 bilhões. No entanto, ao considerar as exceções permitidas para o cumprimento da meta fiscal, que somam R$ 62,8 bilhões, a expectativa passa a ser de um déficit de aproximadamente R$ 52 bilhões ao final de 2026.

Dividendos caem no semestre, mas expectativa é de recuperação

Outro fator que impactou as contas públicas foi a forte redução na arrecadação com dividendos pagos por empresas estatais e outras participações da União.

Entre janeiro e junho, essa receita caiu R$ 14,477 bilhões, uma retração de 58% em comparação com o mesmo período do ano passado.

Mesmo assim, o Tesouro Nacional acredita que a situação será revertida até dezembro. Segundo David Athayde, o cronograma de distribuição dos lucros explica a maior parte dessa redução.

“Acho que a grande explicação é que boa parte mesmo dos pagamentos previstos estão mais projetados para correr no final do ano e mais no último trimestre. Então, é mais uma questão de calendário do que mesmo uma ilustração de alguma diferença dentro mesmo da previsão para o ano. Só para deixar claro que a receita deve até aumentar em relação ao ano anterior”, afirmou.

O secretário também destacou que empresas como a Petrobras poderão alterar o ritmo de distribuição de dividendos, mas reiterou que a expectativa oficial é de recuperação dessa de receita no segundo semestre. A previsão do governo é arrecadar R$ 55,487 bilhões com dividendos ao longo de 2026.

Junho registra novo déficit, apesar de arrecadação recorde

Somente em junho, o governo central apresentou déficit primário de R$ 48,178 bilhões. Embora inferior ao saldo negativo registrado em maio, de R$ 53,257 bilhões, o resultado foi pior que o observado em junho de 2025, quando o déficit havia sido de R$ 44,216 bilhões.

Foi também o pior desempenho para um mês de junho desde 2023.

No período, as despesas cresceram 9% em termos reais na comparação anual, enquanto as receitas totais aumentaram 10,2%, também já descontada a inflação.

Mesmo com o déficit elevado, a arrecadação federal atingiu um marco histórico. Os impostos e contribuições administrados pela Receita Federal somaram R$ 264,437 bilhões em junho, estabelecendo o maior volume arrecadado para o mês desde o início da série histórica, em 2000.

O resultado demonstra que, apesar do avanço da arrecadação tributária, o crescimento acelerado das despesas públicas — impulsionado principalmente pelos precatórios e pela antecipação de pagamentos — continua sendo o principal desafio para o equilíbrio das contas do governo federal em 2026.

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