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Decisão Estratégica: Lançamento do Filme “Dark Horse” Adiado para Evitar Conotações Políticas

Expresso Rio

A distribuidora Europa Filmes, responsável por levar a cinebiografia “Dark Horse” aos cinemas brasileiros, decidiu adiar o lançamento do filme para após as eleições presidenciais de 2026. Essa decisão visa evitar que a obra seja interpretada como uma ferramenta de campanha eleitoral ou seja alvo de questionamentos na Justiça.

A previsão é que o lançamento ocorra a partir de novembro, com uma operação de grande porte que incluirá a exibição do filme em pelo menos 650 salas de cinema em todo o país. A estratégia da distribuidora também prevê que 99% das cópias sejam dubladas, buscando alcançar um público mais amplo.

Essa decisão foi tomada em meio à controvérsia sobre o suposto financiamento do filme pelo banqueiro Daniel Vorcaro, articulado pelo senador Flávio Bolsonaro, conforme mensagens divulgadas pelo Intercept Brasil. O diretor-geral da Europa Filmes, Wilson Feitosa, afirmou que a decisão de adiar o lançamento foi acertada previamente com a produtora Go Up Entertainment, visando evitar qualquer conotação política.

Feitosa destacou que a produção ainda não possui uma data definitiva de estreia, mas será exibida ainda este ano, independentemente do resultado das eleições. A decisão também busca evitar um cenário semelhante ao ocorrido nas eleições anteriores, quando o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) suspendeu a exibição do documentário “Quem mandou matar Jair Bolsonaro?”, produzido pela Brasil Paralelo.

A Europa Filmes aposta em um lançamento nacional de grande porte, com a expectativa de alcançar um público significativo. A duração reduzida do filme, de cerca de 90 minutos, também é vista como um fator que pode ampliar o número de sessões diárias nos cinemas. A distribuidora trabalha com três cenários para o desempenho comercial da produção, variando de um público de 800 mil a mais de 2 milhões de espectadores.

No entanto, o lançamento enfrenta resistência de parte do mercado exibidor, com preocupações sobre o potencial comercial da obra e possíveis manifestações políticas durante as sessões. Wilson Feitosa reconhece essas preocupações, mas enfatiza que a decisão de adiar o lançamento visa evitar qualquer conotação política e garantir que o filme seja visto como uma obra humana e emocionante.

A distribuidora também nega que o filme tenha caráter eleitoral, apesar do trailer internacional apresentar Jair Bolsonaro como a “voz do povo” que “enfrentou o sistema”. Feitosa afirma que a Europa Filmes prepara uma versão brasileira do trailer que deverá começar a ser exibida nos cinemas dentro de aproximadamente dois meses, visando apresentar o filme de forma mais sensível e emocionante.

Por fim, o diretor da distribuidora afirma que não pretende manter contato com a campanha presidencial de Flávio Bolsonaro para discutir qualquer estratégia relacionada ao lançamento da produção, enfatizando que a eventual utilização política do filme caberá exclusivamente aos interessados. Feitosa também rejeita o rótulo de político, afirmando que sua trajetória profissional demonstra independência política e que não tem alinhamento partidário.

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