O governo brasileiro optou por não participar ativamente das audiências públicas organizadas pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR), que começaram na última segunda-feira, em Washington. Essas audiências visam discutir a proposta de implementar uma tarifa adicional de 25% sobre produtos brasileiros exportados para o mercado norte-americano.
Embora não vá participar com pronunciamentos, o Brasil estará representado por observadores da embaixada em Washington, que acompanharão os debates sem transformar o espaço em um palco para negociações diplomáticas. A estratégia do Ministério das Relações Exteriores é monitorar os argumentos apresentados sem comprometer o ambiente para negociações efetivas entre os dois países.
A avaliação do governo é que as audiências públicas têm caráter consultivo e não são o ambiente adequado para negociações significativas. Por isso, o foco permanece nas conversas técnicas e de alto nível que vêm sendo realizadas nas últimas semanas e que devem continuar nos próximos dias.
As negociações entre Brasil e EUA prosseguem por canais diplomáticos, com o Itamaraty afirmando que as tratativas relevantes para uma possível solução da disputa comercial ocorrem diretamente entre autoridades brasileiras e estadunidenses.
Na semana passada, o ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, Marcio Elias Rosa, reuniu-se com o representante do escritório comercial dos Estados Unidos, Jamieson Greer. Após o encontro, Rosa informou que novas reuniões deverão ocorrer nos próximos dias, dando continuidade às negociações.
O governo brasileiro apresentou uma proposta para responder aos seis pontos levantados pelos EUA como justificativa para a adoção das tarifas. No entanto, até o momento, as autoridades brasileiras ainda não receberam uma resposta formal por parte do governo dos EUA.
Com o prazo para um acordo se aproximando, o governo trabalha para demonstrar às autoridades estadunidenses dados sobre a relação comercial entre os dois países, além de informações relativas ao combate ao desmatamento e outros temas apresentados durante as conversas.
O objetivo é convencer Washington de que a aplicação da tarifa adicional não se justifica à luz dos elementos técnicos apresentados pelo Brasil.
Embora o governo brasileiro tenha decidido não discursar nas audiências, outras vozes brasileiras estarão presentes no evento. O senador Flávio Bolsonaro participará das audiências e deverá abrir o segundo dia de debates.
Nos bastidores, integrantes do Palácio do Planalto e do Ministério das Relações Exteriores avaliam que a recomendação apresentada pelo USTR para a imposição das tarifas possui forte componente político e não reflete os argumentos técnicos apresentados pelo Brasil ao longo das negociações realizadas no último ano.
A expectativa predominante entre os negociadores brasileiros é de que as conversas possam resultar em uma redução do percentual inicialmente proposto ou na criação de exceções para determinados produtos brasileiros.
Enquanto o prazo para um acordo se aproxima, a estratégia oficial permanece concentrada no diálogo diplomático e nas negociações diretas entre os governos, deixando em segundo plano as audiências públicas realizadas em Washington.
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