Pular para o conteúdo

Crise com Michelle expõe rixas e investigações em torno de mulheres de Bolsonaro

crise-com-michelle-expoe-rixas-e-investigacoes-em-torno-de-mulheres-de-bolsonaro
Crise com Michelle expõe rixas e investigações em torno de mulheres de Bolsonaro

A crise entre a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro e o senador Flávio Bolsonaro, enteado que busca disputar a Presidência, expôs um histórico de rachas, disputas eleitorais e investigações envolvendo as mulheres com quem Jair Bolsonaro foi casado.

Michelle demonstrou insatisfação com a movimentação do senador e reluta em se envolver na campanha do enteado. Ela chegou a deixar o comando do PL Mulher, enquanto aliados de Flávio veem risco de perda de engajamento entre mulheres e evangélicos, dois segmentos relevantes para o bolsonarismo.

Um episódio anterior ocorreu em 2000, quando Bolsonaro, então deputado e já divorciado de Rogéria Bolsonaro, lançou Carlos Bolsonaro contra a própria mãe na disputa por uma vaga na Câmara Municipal do Rio. Carlos tinha 17 anos, venceu a eleição e permaneceu no cargo até dezembro do ano passado; Rogéria não conseguiu se reeleger.

Depois, Bolsonaro viveu uma união estável com Ana Cristina Valle, mãe de Jair Renan, entre 1997 e 2008. Nesse período, os dois construíram patrimônio com a compra de 14 imóveis ou terrenos, cinco deles pagos em espécie.

Investigações sobre rachadinhas alcançaram Ana Cristina

Com a eleição de 2018 e a ampliação do escrutínio sobre a família, os negócios do antigo casal passaram a receber atenção. Na investigação das supostas rachadinhas de Flávio Bolsonaro no período em que ele atuou como deputado estadual no Rio, Ana Cristina não foi denunciada, mas integrou um dos núcleos analisados por causa da nomeação de dez parentes no gabinete.

O Ministério Público analisou dados bancários da família de Ana Cristina e apontou que, dos R$ 4,8 milhões pagos em salários no período investigado, R$ 4 milhões saíram em espécie. Ela também teve o sigilo quebrado na apuração sobre outra suposta rachadinha, atribuída a Carlos Bolsonaro, de quem foi chefe de gabinete na Câmara do Rio.

Em uma carta enviada a Jair Bolsonaro em 2007 e obtida pelo Uol em 2022, Ana Cristina relatou atritos ligados a Carlos. “Por dois anos, eu o amei, amparei e socorri todos os seus medos e em troca tive o título de sedutora de menor. Ah, como dói, dói muito, fala para ele que meu amor era sincero e puro”, escreveu.

Ana Cristina também ocupou cargos em gabinetes após se unir a Bolsonaro, incluindo uma assessoria na liderança do PPB, partido do então deputado. Em 2018, tentou se eleger deputada federal no Rio pelo Podemos com o nome de urna “Cristina Bolsonaro”; em 2022, filiada ao PP, repetiu o nome na disputa por uma vaga de deputada distrital no DF, mas não venceu.

Rogéria voltou a tentar mandato em 2020, quando disputou novamente uma cadeira na Câmara do Rio, em movimento acertado com Carlos e Jair Bolsonaro, mas recebeu cerca de 2 mil votos. Para este ano, ela foi escolhida suplente do pré-candidato ao Senado pelo Rio Márcio Canella, do União, cuja candidatura ficou em xeque após prisão em flagrante por posse ilegal de fuzil; aliados defendem que Flávio escolha a mãe para a vaga de candidata ao Senado pelo PL, aberta após a desistência de Cláudio Castro.

autores
tópicos relacionados

Deixe seu comentário

Seu e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *.