Contrato de Wi-Fi em SP leva produtora de Dark Horse ao centro de investigação

Expresso Rio
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Imagem: Reprodução/Instagram

A produtora responsável pelo filme Dark Horse, cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), tornou-se alvo de uma investigação da Polícia Civil de São Paulo que apura suspeitas de desvio de recursos públicos relacionados a um contrato de instalação de pontos de Wi-Fi em comunidades da capital paulista.

Nesta segunda-feira (1º), agentes cumpriram sete mandados de busca e apreensão ligados à apuração. O foco da investigação é o Instituto Conhecer Brasil (ICB), entidade presidida por Karina Ferreira da Gama, que também está à frente da produção do longa-metragem.

Segundo informações da Polícia Civil, a investigação teve origem em um pedido do Ministério Público de São Paulo (MPSP), que identificou possíveis irregularidades no chamamento público que resultou na contratação da entidade para executar o programa de conectividade em áreas periféricas da cidade.

De acordo com a investigação, o ICB foi o único participante do processo de seleção para a execução do projeto. As autoridades também apontam que a instituição não possui histórico ou experiência técnica na área de telecomunicações.

Conforme os investigadores, as atividades anteriormente desenvolvidas pela entidade estavam ligadas à realização de feiras literárias e eventos de caráter religioso e cultural.

Outro ponto analisado envolve os valores contratados. Segundo a Polícia Civil, o instituto teria cobrado cerca de R$ 1.800 por mês por cada ponto de internet instalado, valor considerado superior aos parâmetros praticados por empresas públicas do setor.

A investigação também analisa o cumprimento das metas estabelecidas no acordo firmado com a Prefeitura de São Paulo.

Segundo os relatórios preliminares citados pela polícia, o cronograma previa a instalação de 5 mil pontos de Wi-Fi até junho de 2025. No entanto, aproximadamente 3,2 mil pontos teriam sido efetivamente implantados.

Os investigadores afirmam ainda que houve antecipação de pagamentos que somam cerca de R$ 26 milhões antes da comprovação integral da execução dos serviços contratados.

De acordo com a apuração, parte dos recursos teria sido repassada mesmo diante de indícios de funcionamento reduzido da estrutura prevista no projeto.

Outro aspecto investigado é a possibilidade de financiamento cruzado entre os recursos recebidos pelo instituto e a produção cinematográfica.

Segundo a Polícia Civil, existem suspeitas de que verbas públicas destinadas ao programa de conectividade possam ter sido utilizadas de forma irregular para custear despesas relacionadas ao filme Dark Horse.

A produção, que retrata a trajetória política de Jair Bolsonaro, possui custo estimado entre R$ 8 milhões e R$ 20 milhões, conforme informações citadas na investigação.

Até o momento, não há conclusão definitiva sobre o caso, que segue sob análise das autoridades competentes.

Em nota, a Prefeitura de São Paulo informou que está colaborando com as investigações e disponibilizando toda a documentação solicitada pelos órgãos responsáveis.

A administração municipal afirmou que o programa continua funcionando normalmente e que a maioria dos pontos instalados permanece ativa. Segundo a prefeitura, dos cerca de 3,2 mil pontos contratados, apenas 52 estavam temporariamente fora de operação para manutenção.

A gestão também declarou que não houve pagamento referente à instalação de 5 mil pontos e sustentou que os contratos seguiram os princípios da legalidade, transparência e economicidade.

Ainda segundo a prefeitura, o chamamento público permaneceu aberto por 30 dias para participação de entidades interessadas e foi realizado antes mesmo do início da produção do filme citado na investigação.

A reportagem procurou Karina Ferreira da Gama para manifestação. Até a publicação desta matéria, não havia posicionamento público da investigada sobre as suspeitas apresentadas pelas autoridades.

As investigações seguem em andamento e o caso ainda será analisado pelos órgãos responsáveis, respeitando-se o contraditório e a presunção de inocência dos envolvidos.

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