O Comando Sul das Forças Armadas dos Estados Unidos (Southcom) anunciou a ativação de uma certa força-tarefa conjunta do Hemisfério Ocidental, uma nova estrutura militar para intensificar o combate aos cartéis de drogas e organizações criminosas transnacionais na América Latina e no Caribe.
O anúncio foi feito pelo general Francis L. Donovan, ao lado do major-general Kevin Jarrard e do sargento-major Kenne Hanson.
“Aplicaremos fricção sistêmica total sobre essas redes que ameaçam nossa pátria e nossos parceiros nesta região compartilhada. E, juntamente com a Coalizão das Américas Contra os Cartéis e nossos outros 18 países parceiros que apoiam esse esforço, levaremos a luta ao inimigo. Hoje iniciamos a ativação da Joint Task Force Western Hemisphere, o braço operacional do Comando Sul dos Estados Unidos”, afirmou Donovan nas redes.
A nova força atuará em conjunto com a Americas Counter Cartel Coalition, aliança formada por 19 países da América Latina e do Caribe. O Brasil não integra a coalizão.
A criação da força-tarefa faz parte da estratégia de segurança adotada pelo governo Donald Trump, que passou a tratar os cartéis latino-americanos como organizações terroristas e declarou que os Estados Unidos vivem um “conflito armado” contra esses grupos.
Além de pressionar governos da região a ampliar a cooperação militar e policial com Washington, Trump tem defendido que os próprios países latino-americanos realizem operações militares contra cartéis e facções criminosas.
Campanha militar já deixou centenas de mortos
A criação da força-tarefa ocorre após quase um ano de uma campanha militar conduzida pelos Estados Unidos em águas internacionais do Caribe e do Pacífico Oriental.
Desde setembro do ano passado, o Southcom vem realizando ataques contra embarcações classificadas pelo governo americano como pertencentes a organizações de narcotráfico.
Em maio, um desses bombardeios destruiu uma embarcação no Pacífico Oriental, matando uma pessoa e deixando dois sobreviventes. Segundo o Comando Sul, a embarcação era operada por uma “organização terrorista designada”, navegava por rotas conhecidas do narcotráfico e participava de operações de tráfico de drogas.
Até o momento, segundo dados divulgados pela imprensa norte-americana, ao menos 193 pessoas morreram na campanha militar iniciada pelo governo Trump.
Announcement from Gen. Francis L. Donovan on Joint Task Force-Western Hemisphere activation, alongside Maj. Gen. Kevin Jarrard and Sgt. Maj. Kenne Hanson:
“We will apply total systemic friction on these networks that threaten our homeland and our partners here in our shared… pic.twitter.com/jo0da1N75S
— U.S. Southern Command (@Southcom) August 3, 2026
Falta de provas e críticas jurídicas
Apesar das alegações do governo americano, o Southcom não apresentou evidências públicas de que as embarcações destruídas transportavam drogas.
Questionado anteriormente sobre as provas utilizadas para autorizar os ataques, um porta-voz do comando respondeu apenas que, por razões de segurança operacional, os Estados Unidos não poderiam divulgar “s ou métodos”.
A ofensiva também passou a ser alvo de críticas de especialistas em direito internacional e de parlamentares americanos.
Em dezembro, o governo Trump confirmou que, no primeiro ataque da campanha, realizado em 2 de setembro, militares americanos executaram um segundo bombardeio (“double tap”) contra a mesma embarcação, atingindo sobreviventes do ataque inicial.
O episódio gerou forte reação em Washington, com parlamentares questionando se a operação poderia configurar crime de guerra, diante das normas internacionais que protegem pessoas fora de combate.