O pretende submeter ainda neste mês aos seus acionistas uma proposta para autorizar o ajuizamento de ações cíveis contra pelo menos 12 ex-gestores envolvidos nas operações realizadas com o Banco Master entre 2024 e 2025, informa o portal g1. A medida faz parte da estratégia da nova administração para buscar o ressarcimento de eventuais prejuízos causados à instituição financeira após a revelação de supostas irregularidades nas negociações.
Segundo apuração da TV Globo, os nomes que deverão ser alvo das ações foram identificados em uma auditoria independente contratada pelo BRB após a deflagração da Operação Compliance Zero, da Polícia Federal, e a mudança na diretoria do banco.
O número de ex-dirigentes processados, contudo, ainda pode aumentar. Isso porque a nova gestão instaurou, desde novembro de 2025, 25 processos administrativos disciplinares (PADs), que também identificaram outros gestores envolvidos em decisões relacionadas às operações investigadas. Até o momento, o banco não divulgou a quantidade total de investigados nem os nomes dos envolvidos.
A proposta será analisada em assembleia de acionistas convocada para o próximo dia 24. Caberá aos investidores decidir se autorizam o ingresso das ações judiciais.
Em nota, o BRB afirmou que a iniciativa “reforça o compromisso da Instituição com a transparência, a governança e a defesa dos interesses dos acionistas, buscando o ressarcimento de eventuais danos ao patrimônio da instituição”.
As medidas ocorrem em meio à maior crise recente enfrentada pelo Banco de Brasília. As investigações apontam que, entre 2024 e 2025, foram realizadas operações financeiras com o Banco Master que movimentaram aproximadamente R$ 30 bilhões, conforme dados apresentados pelo próprio BRB.
Após revisar essas transações, a instituição concluiu que cerca de R$ 8,8 bilhões em s adquiridos do Banco Master correspondem a títulos inexistentes, fraudados ou considerados de difícil recuperação financeira.
A descoberta provocou uma profunda reavaliação da situação patrimonial do banco e levou a uma série de providências administrativas, jurídicas e financeiras para reduzir os impactos da crise.
GDF montou plano para preservar o banco
Diante do rombo identificado, o Governo do Distrito Federal, controlador do BRB, anunciou medidas para tentar preservar a saúde financeira da instituição.
Segundo o governo, aproximadamente R$ 2,2 bilhões poderão ser recuperados por meio de outras iniciativas já em andamento. Ainda assim, permaneceria um déficit estimado em R$ 6,6 bilhões.
Para cobrir esse montante, foi firmado um acordo no Supremo Tribunal Federal (STF), posteriormente autorizado por lei sancionada em 24 de junho, permitindo a contratação de um empréstimo de R$ 6,6 bilhões.
O BRB exerce papel estratégico para a administração distrital. Além de administrar a folha de pagamento dos servidores públicos, o banco participa da execução de mais de 30 programas sociais e atua fortemente no financiamento habitacional, tornando sua estabilidade financeira uma questão de interesse público para o Distrito Federal.
Nesse contexto, cabe ao Executivo distrital assegurar que a instituição opere em conformidade com as normas do sistema financeiro nacional, cenário que acabou comprometido pelas suspeitas envolvendo as negociações com o Banco Master.
Operação da PF revelou suspeitas de fraudes
As investigações tiveram início após a deflagração da Operação Compliance Zero, realizada pela Polícia Federal em novembro de 2025.
Na ocasião, os investigadores apontaram a existência de um suposto esquema de fraudes financeiras bilionárias envolvendo operações de e negociações realizadas pelo BRB com o Banco Master.
As apurações avançaram nos meses seguintes e resultaram em novas medidas cautelares.
Em abril deste ano, durante uma nova fase da operação, a Polícia Federal prendeu o ex-presidente do BRB, Paulo Henrique Costa.
De acordo com a investigação, ele teria autorizado operações com o Banco Master sem o devido lastro financeiro e em desacordo com práticas consideradas adequadas de governança corporativa e gestão de riscos.
As investigações continuam em andamento e poderão resultar em novas responsabilizações nas esferas administrativa, cível e criminal, à medida que forem concluídas as análises dos contratos e das operações realizadas no período investigado.
Nova gestão amplia medidas de responsabilização
Além da revisão das operações financeiras, a atual diretoria do BRB vem adotando medidas para fortalecer os mecanismos internos de controle e governança.
A eventual aprovação das ações judiciais pelos acionistas representa mais um passo da estratégia de responsabilização dos antigos administradores e de tentativa de recuperação de valores que possam ter causado prejuízo ao patrimônio da instituição.
A expectativa é que, após a deliberação da assembleia marcada para o dia 24, o banco defina quais ex-gestores serão efetivamente acionados na Justiça e o montante que buscará recuperar em cada caso.