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Centrão neutro e direita dividida: o cenário da eleição de 2026

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Centrão neutro e direita dividida: o cenário da eleição de 2026

O presidente Lula será o único candidato à Presidência com uma coligação partidária, formada por PT, PCdoB, PV, Federação Psol-Rede, PDT e PSB. As demais chapas definidas nas convenções reúnem candidatos a presidente e vice do mesmo partido, cenário inédito desde a redemocratização.

Nas nove eleições presidenciais anteriores, mais de uma candidatura formou aliança nacional. A configuração atual expõe a decisão de siglas do Centrão de não se vincular formalmente à disputa pelo Palácio do Planalto e de concentrar esforços nas eleições para o Congresso.

A cientista política Mayra Goulart, professora da Universidade Federal do Rio de Janeiro, atribui a mudança à redução dos incentivos para que os partidos priorizem a eleição presidencial. “Com o fortalecimento das emendas parlamentares e do controle do Congresso sobre o Orçamento do Executivo, os partidos passaram a enxergar mais vantagens em ampliar suas bancadas do que em construir coligações nacionais”, afirmou ao Valor Econômico.

Para a pesquisadora, a participação maior do Legislativo na definição e na execução das emendas diminuiu a capacidade do Executivo de concentrar recursos e negociar apoio pelo Orçamento. Com neutralidade na eleição nacional, partidos podem apoiar nomes diferentes nos estados e buscar bancadas maiores para negociar com o futuro governo.

Direita divide candidaturas, mas pode se unir no segundo turno

A direita chega ao primeiro turno fragmentada entre Flávio Bolsonaro (PL), Ronaldo Caiado (PSD), Romeu Zema (Novo) e Renan Santos (Missão). Mayra Goulart avalia que a divisão não elimina a possibilidade de convergência em uma eventual etapa final da eleição.

“A direita está fragmentada no primeiro turno, mas existe uma tendência de aglutinação no segundo em torno do candidato que avançar. A força do antipetismo continua sendo um elemento importante para essa convergência”, disse a cientista política.

Entre os quatro nomes mais bem posicionados nas pesquisas, todos escolheram homens como vice. Lula manteve o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) na chapa. Em 2022, quatro mulheres concorreram à Presidência e outras quatro disputaram a Vice-Presidência.

Mayra Goulart diferencia a presença feminina nas candidaturas das políticas voltadas às mulheres. “É preciso distinguir a representação descritiva, isto é, a presença de mulheres ocupando cargos, da existência de políticas voltadas às mulheres. É essa segunda dimensão que tende a ser mais avaliada pelo eleitorado feminino”, afirmou.

Na leitura da pesquisadora, Lula parte mais próximo do eleitorado feminino por representar um campo político que incorporou historicamente essas pautas, enquanto a direita defende posições mais conservadoras sobre gênero e família.

O presidente também concentra o campo da esquerda em torno de sua candidatura e não enfrenta, até agora, um nome competitivo que dispute de forma relevante o mesmo eleitorado. Essa unidade reduz a necessidade de negociações internas ainda no primeiro turno, mas limita as opções de novas alianças contra a direita no segundo turno.

Em 2022, Lula disputou votos com outras candidaturas progressistas e buscou, na etapa final, o apoio de Simone Tebet (MDB), Ciro Gomes (PDT) e Soraya Thronicke (União Brasil). No cenário atual, a avaliação é de que a consolidação da esquerda em sua chapa deixa menos espaço para acordos adicionais.

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