O candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) descartou nesta terça (11) substituir o deputado federal Alfredo Gaspar (PL-AL) como vice de sua chapa. O senador defendeu o aliado, acusado de estupro de vulnerável e alvo de apuração sobre a execução de emendas parlamentares.
Flávio disse ter “confiança” em Gaspar e o definiu como uma “pessoa preparada” e “de coragem”. O deputado foi relator da CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) do INSS, que investigou fraudes contra aposentados e pensionistas.
O senador atribuiu as críticas ao vice à atuação dele na comissão. “Foi exatamente no momento em que ele estava ali defendendo os aposentados roubados pelo governo do PT, inclusive pedindo a prisão do Lulinha, que foi feito isso contra ele”, afirmou.
Gaspar é alvo de um procedimento sob sigilo no Supremo Tribunal Federal (STF) relacionado à acusação de estupro de vulnerável. O caso está sob relatoria do ministro Gilmar Mendes, e a Procuradoria-Geral da República (PGR) avalia se endossa um pedido da Polícia Federal para abrir inquérito.
PGR pediu diligências antes de eventual inquérito
Na semana passada, Gilmar Mendes enviou à Polícia Federal um pedido da PGR por diligências adicionais antes de decidir se há elementos para uma investigação. A acusação surgiu em março, durante a CPI do INSS.
O deputado Lindbergh Farias (PT-RJ) e a senadora Soraya Thronicke (Podemos-MS) pediram à Polícia Federal a apuração de “fatos graves” que disseram ter conhecido. Na representação, eles relataram documentos sobre uma menina de 13 anos que teria sido estuprada, engravidado e tido um filho há oito anos.
Os autores do pedido não apresentaram provas naquele momento e alegaram a necessidade de preservar a adolescente e a mãe. Gaspar nega ter cometido crime, disse que quer realizar exame de DNA e afirmou ter disponibilizado material genético para eventual perícia.
Em nota, o deputado classificou as acusações como “falsas, levianas e absolutamente irresponsáveis”. Ele também acionou Lindbergh e Soraya no STF.
Separadamente, o ministro Flávio Dino mandou a PF apurar possíveis crimes na execução de R$ 55,4 milhões em emendas Pix, após auditoria do Tribunal de Contas da União apontar falhas de controle entre 2020 e 2024. A lista inclui R$ 6,2 milhões indicados por Gaspar para São José da Laje (AL); ele afirma não ser investigado e diz que a prefeitura responde pela execução e prestação de contas dos recursos.