O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central vê atualmente mais riscos de alta do que de baixa para a inflação. Na ata divulgada nesta terça-feira (11), o colegiado detalhou a decisão da semana passada de reduzir a taxa básica de juros de 14,25% para 14% ao ano.
O documento lista quatro fatores que podem pressionar os preços e três que podem contribuir para uma inflação menor. Entre os riscos de alta estão a persistência de expectativas acima da meta, possíveis impactos de choques no preço do petróleo e de eventos climáticos sobre a produção agrícola e os custos de energia.
O Banco Central também aponta como ameaça uma inflação de serviços mais resistente do que o previsto, além de possíveis efeitos inflacionários de políticas econômicas internas e externas. Outro fator citado é um crescimento do consumo acima da capacidade da economia, o que poderia aumentar a pressão sobre os preços.
No lado oposto, o Copom considera a possibilidade de uma desaceleração mais intensa da economia brasileira, uma redução mais forte do ritmo de crescimento global e uma queda nos preços das commodities como fatores que poderiam ajudar a conter a inflação.
Expectativas preocupam o Banco Central
O Copom afirmou que acompanha de perto o aumento das expectativas de inflação para períodos mais longos. Segundo a ata, diferentes indicadores e grupos de agentes apontam projeções acima da meta em todos os horizontes analisados.
O colegiado também destacou que expectativas desancoradas tornam o processo de redução da inflação mais custoso para a atividade econômica. Por isso, defendeu uma condução da política monetária marcada por “perseverança, firmeza e serenidade”.
Para o Banco Central, o cenário atual exige uma política de juros mais restritiva e por mais tempo do que seria necessário em um ambiente de expectativas alinhadas à meta.
Inflação desacelera, mas continua acima do limite
O Copom registrou uma desaceleração recente da inflação ao consumidor, mas ressaltou que o índice acumulado em 12 meses ainda está acima do limite superior da meta.
As medidas consideradas pelo BC como subjacentes, que buscam retirar efeitos mais voláteis dos índices, também apresentaram desaceleração e ficaram ligeiramente abaixo do teto da meta.
BC reforça papel da política fiscal
A ata também voltou a destacar a importância de uma relação equilibrada entre as políticas monetária e fiscal. Para o Copom, medidas fiscais que ajudem a reduzir o risco percebido pelos investidores podem contribuir para a convergência da inflação à meta.
O comitê, por outro lado, alerta que dúvidas sobre a sustentabilidade da dívida pública, menor esforço de reformas estruturais e aumento do direcionado podem elevar a taxa de juros considerada neutra para a economia.
Mercado de trabalho segue no radar
O Banco Central também afirmou que acompanha de perto o mercado de trabalho. A taxa de desemprego permanece em níveis historicamente baixos, enquanto o ritmo de crescimento da ocupação vem desacelerando.
Os rendimentos médios também perderam força na margem, embora ainda apresentem crescimento real acima da produtividade do trabalho.
Para o Copom, a economia brasileira passa por um processo de moderação. Indicadores apontam desaceleração entre o primeiro e o segundo trimestre de 2026, tanto pelo lado da oferta quanto da demanda.
Cenário externo continua incerto
As incertezas no cenário internacional permanecem elevadas, segundo o Banco Central. O Copom cita as indefinições relacionadas aos conflitos no Oriente Médio, a política monetária de economias avançadas e as decisões econômicas dos Estados Unidos.
O ambiente externo, de acordo com o comitê, exige cautela dos países emergentes diante da maior volatilidade nos preços de ativos e commodities.