A comentarista Miriam Leitão afirmou que a inflação pode registrar taxa negativa em agosto, após o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) subir 0,07% em julho. A análise foi feita no “Bom Dia Brasil”, depois da divulgação dos dados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
“Agosto vai ser ótimo. Agosto vai ser também uma inflação, provavelmente mais baixa do que essa. É possível que seja uma inflação negativa, uma deflação”, disse Miriam. Uma taxa mensal negativa indica queda média dos preços apurados no período.
Inflação desacelera – O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), considerado a inflação oficial do país, subiu 0,07% em junho, segundo dados divulgados nesta terça-feira (11) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O resultado representa uma… pic.twitter.com/wG6bUcxSVa
— g1 (@g1) August 11, 2026
Com o resultado de julho, o IPCA acumulou alta de 3,44% no ano e de 4,44% nos 12 meses anteriores. O indicador ficou abaixo do teto de 4,5% do intervalo da meta de inflação.
Miriam classificou o acumulado em 12 meses como uma “excelente notícia” e afirmou que era a primeira vez, em muito tempo, que a inflação anual voltava ao intervalo da meta. Ela ponderou, porém, que o resultado não elimina os riscos de novas pressões sobre os preços.
Alimentos e combustíveis ajudaram a frear o IPCA
Os alimentos tiveram queda de 0,67% em julho e contribuíram para a desaceleração do índice. Os combustíveis também recuaram, enquanto a energia elétrica pressionou a inflação no mês.
A comentarista citou reduções em produtos de consumo cotidiano. “Se você foi ao supermercado recentemente, viu que batata caiu, tomate caiu, café caiu”, afirmou. A variação desses itens pode manter a inflação em nível baixo no próximo bimestre.
A desaceleração não significa que os preços tenham retornado aos patamares anteriores. A inflação mede a variação dos valores cobrados, e não o nível de preços: quando o índice perde força, os produtos continuam mais caros do que antes, mas sobem em ritmo menor.
Miriam também apontou que o endividamento limita o orçamento das famílias, mesmo com uma inflação menor. “O endividamento toma uma parte importante do seu salário, do dinheiro que você preparou para o orçamento”, disse.
Para o fim do ano, ela citou riscos ligados ao preço do petróleo, a conflitos internacionais e ao El Niño. “Esse ano tem muita incerteza pela frente”, afirmou, ao alertar que combustíveis e outros itens ainda podem voltar a pressionar o IPCA.