Pular para o conteúdo

China tem queda na venda de carros e explosão de exportações

china-tem-queda-na-venda-de-carros-e-explosao-de-exportacoes
China tem queda na venda de carros e explosão de exportações

As vendas de automóveis de passeio na China caíram 21,1% em julho de 2026, para 1,47 milhão de unidades, enquanto as exportações de veículos chineses dispararam 88,2% e chegaram a 923 mil unidades. Os dados são da Associação de Automóveis de Passeio da China (CPCA) e marcam o décimo mês seguido de retração no mercado doméstico.

Nos primeiros sete meses do ano, as vendas internas acumularam queda de 20,5%, com cerca de 2,65 milhões de veículos a menos do que no mesmo período de 2025. O secretário-geral da CPCA, Cui Dongshu, atribuiu parte do recuo à alta dos combustíveis, que afetou os carros movidos a gasolina, e à menor procura por sedãs de entrada.

O mercado externo seguiu na direção oposta. As exportações chinesas de carros elétricos e híbridos plug-in cresceram 147,8% em julho, enquanto as vendas desses modelos dentro da China recuaram 3,9% no mês.

As montadoras aumentaram a presença na Europa, no Sudeste Asiático, na América Latina e no Oriente Médio para compensar a demanda mais fraca em seu país. A BYD, maior fabricante mundial de veículos elétricos, bateu recorde de remessas internacionais em julho e alcançou o terceiro mês consecutivo de alta nas vendas globais.

Brasil recebe mais da metade dos veículos chineses importados

O Brasil importou 344,1 mil veículos entre janeiro e julho, alta de 25,7% ante o mesmo intervalo de 2025. Mais de 180 mil unidades vieram da China, o equivalente a 52,4% de todos os carros importados pelo país no período.

As importações de veículos chineses cresceram 105,4% no acumulado do ano, conforme dados da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea). Os emplacamentos de elétricos e híbridos avançaram 120,8% até julho e representaram 23,5% das vendas de veículos no país naquele mês, a maior participação já registrada.

As fabricantes também buscam produzir perto dos mercados consumidores. A Geely fechou um acordo com a Ford para fabricar SUVs elétricos em uma unidade da montadora americana na Espanha, estratégia que pode facilitar o acesso das marcas chinesas ao mercado europeu. No Brasil, sete novas marcas chinesas planejam entrar no mercado até 2028.

A maior concorrência já pressiona os preços no Brasil: estudo da Bright Consulting apontou queda real de 1,5% no preço médio dos carros zero-quilômetro em 2026, descontada a inflação. Na China, analistas do Deutsche Bank projetam pressão sobre as margens das montadoras no segundo semestre, com promoções mais intensas e custos maiores de baterias de lítio e memórias para semicondutores.

autores
tópicos relacionados

Deixe seu comentário

Seu e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *.