A revogação do visto da embaixadora Maria Luiza Ribeiro Viotti pelo governo de Donald Trump abriu uma nova frente de disputa entre aliados de Lula e integrantes da extrema-direita. Parlamentares de esquerda classificaram a medida como uma agressão à soberania brasileira, enquanto bolsonaristas atribuíram a crise ao presidente. Com infomações da coluna Sonar, do Globo.
Eduardo Bolsonaro afirmou que Lula estaria elevando deliberadamente o atrito com os Estados Unidos para obter vantagens na eleição presidencial. O ex-deputado também acusou o petista de desejar a crise comercial e o tarifaço, mas não apresentou elementos que comprovassem essa alegação.
Em uma publicação, Eduardo atribuiu a decisão de Washington ao “ego de Lula” e disse que a população brasileira pagará o custo do confronto. A manifestação ignora que o governo Trump condicionou expressamente a restituição do visto de Viotti à aprovação de Daniel Perez como embaixador estadunidense em Brasília.
SEM PRECEDENTES
Trump tira visto de embaixadora brasileira, tudo por conta do ego de Lula que deseja esta briga.
Mas lembro: quem paga a conta é você. Para que isso? pic.twitter.com/cRuJWB60We
— Eduardo Bolsonaro🇧🇷 (@BolsonaroSP) August 4, 2026
Na esquerda, Jandira Feghali afirmou que o Brasil não deve se submeter às medidas de Trump. Maria do Rosário avaliou que a decisão amplia uma ofensiva para interferir no processo eleitoral brasileiro, enquanto Lindbergh Farias acusou Eduardo e Flávio Bolsonaro de comemorarem ações externas contra o país.
Glauber Braga também rejeitou a justificativa de reciprocidade apresentada pelos Estados Unidos. Para o deputado do PSOL, a pressão ocorre em uma relação desigual e busca forçar o governo brasileiro a aceitar as condições impostas por Washington.
A revogação do visto da embaixadora do Brasil nos EUA é mais uma etapa na pressão que eles estão tocando contra o Brasil. Dirão que é questão de reciprocidade. Conversa. Reciprocidade boa pra eles é sempre quando a balança está desequilibrada contra a gente.
— Glauber Braga (@Glauber_Braga) August 4, 2026
Paulo Figueiredo, Gil Diniz e outros bolsonaristas compararam o caso ao impasse de 2010 entre os Estados Unidos e a Venezuela. Na ocasião, Caracas rejeitou o nome de Larry Palmer como embaixador, e Washington respondeu revogando o visto do representante venezuelano Bernardo Álvarez.
A revogação não implica a expulsão de Viotti, que pode permanecer nos Estados Unidos, mas sem um visto válido para retornar ao país caso viaje. O governo Lula afirma que as justificativas de Washington são falsas e que a medida integra uma tentativa de interferência na eleição brasileira.