O ativista brasileiro Thiago Ávila desembarcou no Aeroporto Internacional de Guarulhos, em São Paulo, nesta segunda-feira (11), após ser preso e deportado por Israel durante uma missão humanitária com destino à Faixa de Gaza. Ao chegar ao Brasil, ele foi conduzido pela Polícia Federal para um interrogatório antes de ser liberado.
A chegada de Ávila mobilizou apoiadores no terminal do aeroporto. O grupo levou bandeiras da Palestina, cartazes contra ações do governo israelense e entoou palavras de ordem defendendo o rompimento das relações diplomáticas entre o Brasil e Israel. Imagens divulgadas nas redes sociais registraram a recepção ao ativista.
Segundo organizações presentes em Guarulhos, Thiago Ávila chegou ao saguão por volta das 18h44, em voo vindo do Cairo, no Egito. Antes disso, ele havia sido deportado para a capital egípcia após ser libertado no domingo (10).
De acordo com relatos das entidades que acompanharam o caso, o ativista foi retido pela Polícia Federal para prestar esclarecimentos assim que desembarcou no Brasil. Após o procedimento, ele foi liberado.
Thiago Ávila é um dos ativistas mais importantes dentro da Global Sumud Flotilla e no debate sobre o genocídio palestino. Foto: Eva Manez/ReutersThiago Ávila ficou preso por 11 dias na região de Ashkelon, no sul de Israel. Ele integrava a flotilha Global Sumud, missão formada por mais de 50 embarcações que partiram de países como França, Espanha e Itália com o objetivo de romper o bloqueio naval imposto por Israel à Faixa de Gaza e entregar ajuda humanitária ao território palestino.
A operação que resultou na prisão ocorreu em 29 de abril, enquanto os ativistas navegavam em águas internacionais próximas à costa da Grécia. Além de Ávila, outros brasileiros participaram da missão, entre eles Mandi Coelho e Leandro Lanfredi, que já haviam sido libertados anteriormente e aguardavam sua chegada ao Brasil.
A ONG israelense Adalah, responsável pela defesa jurídica dos ativistas, afirmou que a prisão foi ilegal e denunciou supostos maus-tratos e abusos psicológicos durante o período de detenção. O governo de Israel negou as acusações e classificou a ação humanitária como uma “flotilha de provocação”.
A prisão de Thiago Ávila provocou reações diplomáticas e manifestações internacionais. O governo brasileiro, por meio do Itamaraty, classificou a interceptação da embarcação como um “sequestro” em águas internacionais.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva também se pronunciou sobre o caso e cobrou a libertação do ativista, chamando a prisão de “ação injustificável” do governo israelense.
Além do Brasil, o governo da Espanha e representantes da Organização das Nações Unidas (ONU) também repudiaram a detenção dos integrantes da flotilha humanitária.
O caso ampliou novamente o debate internacional sobre a situação humanitária na Faixa de Gaza, o bloqueio imposto por Israel e as tensões diplomáticas envolvendo o conflito no Oriente Médio.
📍 Brasil | El recibimiento a Thiago Ávila, uno de los coordinadores de la Global Sumud Flotilla secuestrado por el ejército sionista en aguas internacionales junto a Saif Abukeshek, quien arribó a Barcelona este domingo.
Al llegar a Brasil, Thiago fue demorado por un… pic.twitter.com/S4eBLHP4n6
— Liga Internacional Socialista (@isl_lis) May 11, 2026