Manuela d’Ávila acusou Luciano Zucco de violência política depois que o candidato do PL ao governo do Rio Grande do Sul apareceu usando um adesivo com o rosto dela riscado por um X vermelho. A peça traz a inscrição “Anti-Manu” e destaca o pronome “ela”.

“O adesivo fala por si. O sorriso do candidato fala por si. São tantas as violências presentes nessa imagem que me dou o direito de não descrevê-las”, escreveu a candidata do PSOL ao Senado. Para Manuela, marcar o rosto de uma mulher que disputa uma eleição transmite a mensagem de que ela deve ser tratada como alvo.

A ex-deputada relacionou a imagem ao número de feminicídios no Rio Grande do Sul e dirigiu sua resposta à família do adversário. Manuela lembrou que encontrou Zucco acompanhado da filha e o desafiou a explicar à menina por que levava no peito o rosto riscado de outra mulher.

O adesivo foi criado por Júlia Zardo, candidata a deputada federal pelo Novo, e distribuído em convenções e eventos da direita. Na imagem divulgada por Manuela, o nome de Júlia foi apagado. A assessoria da candidata afirmou que o objetivo era concentrar a crítica na decisão de Zucco de usar a peça e, com isso, legitimar a estratégia.

Júlia acusou Manuela de fazer “jogo sujo” e disse que o adesivo representa oposição às ideias defendidas pela candidata do PSOL. O coordenador político de Zucco também afirmou que a peça contém apenas uma “crítica política” e rejeitou a acusação de misoginia.

O confronto antecipa o tom da campanha no estado. Manuela d’Ávila aparece entre as líderes da disputa pelo Senado, enquanto Zucco está tecnicamente empatado com Juliana Brizola na corrida pelo governo. Antes mesmo do início oficial da propaganda, a direita gaúcha escolheu apresentar sua plataforma estampando o rosto riscado de uma adversária.