A ausência de Carla Zambelli nas urnas abriu uma disputa por seu espólio eleitoral em São Paulo. A mãe, Rita Zambelli Salgado, o irmão, Bruno Zambelli Salgado, e o advogado Fábio Pagnozzi devem concorrer nas eleições deste ano, dois deles interessados em uma vaga na Câmara dos Deputados.
Rita e Bruno aparecem na ata da convenção estadual do PL realizada em 22 de julho. A mãe da ex-deputada foi escolhida para concorrer a deputada federal e se apresenta como continuadora do projeto político da filha. Carla chegou a transferir suas redes sociais para Rita, classificando a operação como uma espécie de “herança”.
A candidata já teve uma passagem modesta pelas urnas. Em 2004, disputou uma vaga de vereadora em Mairiporã pelo antigo PTB e recebeu 62 votos. Apesar da votação, assumiu temporariamente uma cadeira na Câmara Municipal como suplente.
Bruno Zambelli tentará a reeleição para a Assembleia Legislativa de São Paulo. Ele fracassou na disputa para vereador da capital em 2020, mas foi eleito deputado estadual dois anos depois pelo PL, com 235.305 votos. O parlamentar ajudou a fundar, ao lado da irmã, o movimento bolsonarista Nas Ruas.
O terceiro nome é Fábio Pagnozzi, advogado de Carla nos processos que resultaram em suas condenações no Supremo Tribunal Federal e na disputa sobre sua extradição da Itália. Estreante nas urnas, ele será candidato a deputado federal pelo Novo e disputará parte do mesmo eleitorado bolsonarista pretendido por Rita.
Carla recebeu mais de 946 mil votos em 2022 e foi a segunda candidata a deputada federal mais votada de São Paulo. Depois, foi condenada a dez anos de prisão pela invasão dos sistemas do Conselho Nacional de Justiça e a cinco anos e três meses pela perseguição armada ao jornalista Luan Araújo. Ela deixou o Brasil e permanece na Itália enquanto a Justiça local volta a examinar seu processo de extradição.
A configuração cria uma disputa peculiar: a mãe e o advogado tentarão ocupar na Câmara o espaço deixado pela ex-deputada, mas por legendas diferentes, enquanto o irmão busca preservar o sobrenome na Assembleia paulista. Fora das urnas, Carla Zambelli ainda tenta transformar quase um milhão de votos recebidos há quatro anos em patrimônio político familiar.