Pular para o conteúdo

A desculpa que Bolsonaro prepara a Moraes sobre vídeo de IA

a-desculpa-que-bolsonaro-prepara-a-moraes-sobre-video-de-ia
A desculpa que Bolsonaro prepara a Moraes sobre vídeo de IA

A defesa do ex-presidente Jair Bolsonaro deve informar ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), que ele não sabia que um vídeo feito por inteligência artificial seria exibido na convenção do PL que oficializou a candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) à Presidência.

Moraes deu 48 horas, na terça-feira (28), para que os advogados expliquem o uso da peça. O vídeo apareceu no telão do evento do partido no sábado (25), com uma simulação da imagem e da voz de Bolsonaro dirigida ao público.

Na gravação, a figura criada por IA diz: “Isso que vocês estão vendo aqui não sou eu. Isso é uma simulação da minha imagem e da minha voz feita com inteligência artificial”. O conteúdo também traz uma fala sobre ele estar “preso e calado por uma decisão injusta e arbitrária”.

Os advogados Paulo da Cunha Bueno e Celso Villardi representam Bolsonaro. Eles devem sustentar que o ex-presidente não teria como saber previamente da exibição porque cumpre prisão domiciliar em Brasília e não pode receber visitas de políticos nem se encontrar com o próprio filho.

📹#vídeo 🗳️ Vídeo de “Bolsonaro” feito com IA é exibido em convenção do PL

➡️ Gravação usa imagem e voz simuladas do ex-presidente; ele cumpre prisão domiciliar por condenação após tentativa de golpe

👇Assista ao vídeo: pic.twitter.com/gZP1J7BI2p

— Poder360 (@Poder360) July 25, 2026

Moraes apontou risco de retorno ao regime fechado

Flávio Bolsonaro não pode visitar o pai desde que leu uma carta aberta dele destinada aos eleitores. Condenado por tentativa de golpe de Estado, Jair Bolsonaro está impedido de fazer manifestações políticas, de forma direta ou por intermédio de terceiros.

No despacho, Moraes afirmou que uma eventual concordância de Bolsonaro com a divulgação do vídeo poderia levar à reversão da prisão domiciliar humanitária para o regime fechado. O ministro destacou que a peça circulou amplamente nas redes sociais e continha declarações de caráter político-eleitoral.

“A eventual concordância de Jair Messias Bolsonaro com a divulgação de um vídeo produzido por IA, e amplamente divulgado nas redes sociais, contendo sua imagem e declarações ostensivamente político-eleitorais constituiria nova e grave transgressão à decisão judicial”, escreveu o relator.

O ministro também citou a decisão anterior que proibiu a divulgação de manifestos político-eleitorais por Bolsonaro, inclusive por terceiros e qualquer meio de comunicação. O despacho ainda menciona a vedação eleitoral ao uso de imagem sem autorização.

Se a defesa negar que Bolsonaro autorizou ou conhecia o vídeo, a apuração sobre a produção e a veiculação da peça pode se concentrar em Flávio Bolsonaro e no PL, já que a legislação eleitoral proíbe o uso de deepfake.

autores
tópicos relacionados

Deixe seu comentário

Seu e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *.