O presidente Lula afirmou nesta sexta-feira (7) que pretende enviar a Donald Trump gráficos com dados sobre a queda dos alertas de desmatamento no Brasil. A declaração foi feita durante a apresentação de números do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) e teve como alvo uma das justificativas ambientais usadas pelo governo estadunidense na ofensiva comercial contra o país.
“Vou tirar uma foto desses gráficos e mandar para o presidente Trump”, disse Lula. Ele afirmou que o governo dos Estados Unidos acusa o Brasil de não proteger adequadamente suas florestas e contrapôs a crítica aos resultados apresentados pelo INPE. O presidente também lembrou declarações de Trump questionando a ciência climática.
A formulação oficial do Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos, o USTR, é mais específica. Ao aplicar tarifas adicionais a produtos brasileiros, o órgão afirmou que o desmatamento ilegal persiste no país e acusou o Brasil de ter falhado historicamente na aplicação efetiva de sua legislação ambiental. O tema aparece ao lado de críticas relacionadas ao Pix, propriedade intelectual, etanol e outras políticas brasileiras.
FOI PRA ISSO QUE EU FIZ O L!!!
LULA NÃO BAIXOU A CABEÇA pro Trump e mandou o recado bem claro hoje em São José dos Campos! O presidente contou que já foi vendedor de tapioca, amendoim, bolo de milho, laranja e sardinha… e toda vez que alguém não queria comprar dele, ele… pic.twitter.com/aw3zUKRQqe
— Plantão Brasil (@plantaobrasil1) August 7, 2026
Os números recentes do INPE caminham na direção oposta à ideia de uma escalada atual da devastação. No acumulado entre agosto de 2025 e junho de 2026, os alertas de desmatamento na Amazônia atingiram 2.485,9 km², redução de 37,2% em relação ao mesmo período do calendário anterior. O instituto ressalta que os dados do DETER são destinados à fiscalização e indicam tendências; a taxa anual oficial de desmatamento é calculada por outro sistema, o Prodes.
Lula também voltou a atacar Marco Rubio, secretário de Estado de Trump e um dos principais integrantes da ala do governo estadunidense que pressiona o Brasil. O petista chamou Rubio de “anti-latino-americano” e “latino-americano frustrado” e afirmou que ele age de maneira diferente do que teria sido acertado nas conversas diretas entre os dois presidentes.
A relação entre Brasília e Washington deteriorou-se nas últimas semanas com a imposição das novas tarifas. Rubio já havia responsabilizado Lula pelo impasse e acusado o brasileiro de não negociar “de boa-fé”. O governo brasileiro rejeitou a acusação, e o chanceler Mauro Vieira classificou as declarações do secretário como ofensivas e politicamente motivadas.