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Western que faz anatomia da masculinidade estreia no Festival de Gramado

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Western que faz anatomia da masculinidade estreia no Festival de Gramado

O curta-metragem Terra Bruta, dirigido por Guilherme Suman e Allan Riggs, terá sua estreia no 54º Festival de Cinema de Gramado. A parceria entre Riggs Productions e Suman Filmes, em 2025, rendeu resultados expressivos, alcançando prêmios em Hollywood, reconhecimento em festivais por diversas regiões do Brasil e ate uma participação em um festival qualificador para o Oscar nos EUA.

Terra Bruta mergulha no século XIX para acompanhar Miguel, um jovem que retorna às suas origens, no sul do Brasil, para enfrentar memórias fragmentadas e ameaças iminentes. Sua jornada é marcada pela busca por purificação em meio a lugares inóspitos e fantasmas do passado.

Com roteiro de Thiago Suman, Guilherme Suman e Allan Riggs, o filme propõe uma reflexão intensa sobre a anatomia da masculinidade e suas manifestações tóxicas, compreendidas como resultado de uma construção histórica que associa o ser homem à força, ao domínio e à repressão das emoções. Nesse contexto, a violência transforma-se em um corpo físico e simbólico que molda uma identidade masculina erguida sobre silêncios e feridas jamais elaboradas.

A direção aposta em uma estética seca e árida, reforçando a brutalidade como paisagem existencial. Thiago Suman e Guilherme Suman também assinam o figurino e a direção de arte, ampliando a densidade visual da obra.

Embora dialogue com os códigos mais icônicos do western, Terra Bruta busca justamente desconstruir o imaginário clássico do gênero. O caubói, tradicionalmente marcado pela ambiguidade entre civilização e barbárie, cede espaço a uma visceralidade que costura um mundo devastado, cujos valores foram corroídos para escancarar os mecanismos de construção estrutural do masculinismo ocidental, desde suas manifestações mais cotidianas até suas expressões mais extremas.

Mais do que denunciar, Terra Bruta lança uma pergunta ao espectador: até que ponto a violência é inevitável quando a identidade masculina é construída sobre sofrimento e silenciamento?

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