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Warsh endurece discurso contra inflação e mercado amplia aposta em alta dos juros nos EUA

Por 3 min de leitura Expresso Rio
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O presidente do Federal Reserve (Fed), Kevin Warsh, adotou um tom mais rigoroso em relação à inflação nesta sexta-feira (28), durante discurso no simpósio econômico de Jackson Hole, nos Estados Unidos. O dirigente afirmou que a estabilidade de preços deve ser o principal foco da autoridade monetária neste momento e sinalizou que novas medidas poderão ser necessárias caso a inflação não apresente trajetória suficientemente clara em direção à meta de 2%.

Warsh destacou que a economia norte-americana continua apresentando sinais de resistência, com mercado de trabalho estável e atividade econômica sólida. Segundo o presidente do Fed, as condições financeiras atuais dificilmente poderiam ser classificadas como amplamente restritivas. A taxa básica de juros dos Estados Unidos permanece na faixa entre 3,50% e 3,75% ao ano. O dirigente, contudo, não anunciou antecipadamente qual decisão defenderá na próxima reunião e ressaltou que não pretende oferecer ao mercado uma orientação automática sobre os futuros movimentos da instituição.

No discurso, Warsh também demonstrou preocupação com a evolução dos preços. O índice PCE, medida de inflação preferida pelo Federal Reserve, registrava avanço anual de 3,7%, acima da meta de 2% perseguida pelo banco central. O presidente do Fed afirmou ainda que a recente melhora em alguns indicadores não é suficiente, na avaliação dele, para demonstrar uma mudança significativa na tendência inflacionária. A evolução dos preços das commodities também foi citada como um dos elementos que precisam continuar sendo acompanhados.

A reação dos mercados foi imediata. Dados acompanhados pelo mercado de juros passaram a indicar aproximadamente 60% de probabilidade de uma elevação da taxa já na reunião de 15 e 16 de setembro, contra cerca de 35% a 40% antes do discurso. Como essas probabilidades são calculadas a partir dos contratos negociados no mercado futuro, os percentuais podem mudar ao longo do dia conforme novas operações e informações são incorporadas.

Os títulos do Tesouro norte-americano também reagiram. O rendimento dos papéis de dois anos avançou 11 pontos-base, para aproximadamente 4,34%, enquanto o Treasury de dez anos chegou a cerca de 4,72%. O índice que mede o desempenho do dólar diante de uma cesta de moedas também registrou valorização após a fala, refletindo a percepção de parte dos investidores de que os juros norte-americanos podem permanecer elevados ou até subir novamente.

Apesar da reação, uma alta em setembro não está definida. Warsh afirmou que o Fed analisará as condições econômicas e evitou estabelecer previamente um caminho para os juros. Dados de emprego e inflação previstos para serem divulgados antes da próxima reunião deverão ter peso na decisão do Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc).

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