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Guerra entre EUA, Israel e Irã completa seis meses e deixa impactos na economia e na geopolítica mundial

Por 3 min de leitura Expresso Rio
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A guerra envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã completa seis meses nesta sexta-feira (28), deixando consequências que ultrapassam o campo militar e alcançam os mercados de energia, o comércio marítimo e as relações diplomáticas internacionais. O conflito teve início em 28 de fevereiro, com ataques norte-americanos e israelenses contra o Irã, e desde então passou por diferentes fases de ofensivas, retaliações e tentativas de negociação, sem uma solução definitiva até o momento.

Um dos principais efeitos da crise ocorreu no Estreito de Ormuz, rota estratégica por onde, antes da guerra, circulava aproximadamente um quinto do petróleo mundial. O tráfego marítimo permanece severamente reduzido, apesar de esforços diplomáticos envolvendo países como Catar e Omã para restabelecer a navegação. A interrupção contribuiu para pressionar preços do petróleo, combustíveis, fretes e seguros marítimos e aumentou a preocupação de países fortemente dependentes da energia produzida no Golfo.

O impacto também levou diferentes governos a rever suas estratégias de segurança energética. O Japão, por exemplo, anunciou medidas para diversificar fornecedores e apoiar rotas capazes de reduzir a dependência de Ormuz. Em outras partes da Ásia e da Europa, a crise vem estimulando investimentos em fontes renováveis e alternativas ao petróleo e ao gás importados do Oriente Médio. Especialistas ressaltam, porém, que essa transformação tende a ocorrer de forma gradual e depende de infraestrutura, disponibilidade de recursos e custos.

Nos mercados internacionais, o petróleo Brent chegou a superar US$ 120 por barril em abril e apresenta média próxima de US$ 90 em 2026, segundo levantamento da Reuters. Os efeitos também alcançaram derivados como diesel e combustível de aviação, enquanto interrupções nas cadeias de fertilizantes e alimentos acrescentaram novas pressões sobre países importadores. Apesar dessas turbulências, os mercados acionários globais demonstraram maior resistência do que inicialmente se temia.

A guerra também produziu mudanças no equilíbrio econômico do setor energético. A influência da Opep+ sobre o mercado de petróleo diminuiu durante o conflito, enquanto o comportamento da demanda chinesa ganhou maior importância para a formação dos preços internacionais. A China continua sendo ainda um dos principais parceiros comerciais capazes de oferecer alternativas econômicas ao Irã diante da pressão e das sanções impostas por Washington. Analistas, entretanto, divergem sobre até que ponto Pequim poderá transformar essa posição econômica em vantagem geopolítica permanente.

Nos Estados Unidos, a duração da guerra passou a representar também um desafio político para o governo Donald Trump. Pesquisa Reuters/Ipsos realizada entre 21 e 24 de agosto mostrou que apenas 31% dos norte-americanos apoiavam a ação militar contra o Irã, contra 37% em março. O levantamento apontou ainda que 83% dos entrevistados acreditam que o envolvimento militar norte-americano deverá continuar por um período prolongado. A aprovação geral do presidente estava em 33%. A pesquisa ouviu 1.215 adultos e possui margem de erro de aproximadamente três pontos percentuais.

Após seis meses, avaliações de especialistas indicam que o conflito entrou em uma fase de impasse, com Washington ampliando a pressão econômica enquanto Teerã mantém instrumentos de influência sobre o comércio e a navegação no Golfo. Para os Estados Unidos, um dos principais desafios passa a ser converter a superioridade militar e a pressão econômica em um acordo político sustentável. Sem avanços diplomáticos consistentes, permanece o risco de prolongamento da crise e de novos episódios de escalada, com efeitos que podem continuar sendo sentidos muito além do Oriente Médio.

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