A Somália avança nos preparativos para uma ampla reforma monetária que prevê a emissão de novas cédulas do xelim somali, após cerca de 35 anos sem produção oficial de dinheiro pelo Banco Central do país. Desde 1991, com o colapso do governo de Siad Barre e o início de um prolongado período de conflitos internos, a autoridade monetária perdeu a capacidade de emitir e administrar regularmente a moeda nacional.
Ao longo das décadas seguintes, cédulas antigas e uma grande quantidade de notas consideradas falsificadas permaneceram em circulação, enquanto o dólar americano ganhou espaço nas transações comerciais, poupanças e no sistema financeiro. Segundo o Fundo Monetário Internacional (FMI), a economia somali permanece fortemente dolarizada, embora o xelim continue sendo utilizado principalmente em operações de menor valor e por parcelas da população com menor acesso a dólares ou pagamentos digitais.
O projeto conduzido pelas autoridades prevê substituir gradualmente as notas antigas e falsificadas por novas cédulas oficiais. Paralelamente, o governo e o Banco Central trabalham na implantação de um modelo de conselho monetário (currency board), estrutura destinada a estabelecer regras para a gestão da moeda, das reservas internacionais e do mercado de câmbio. Documentos do FMI apontam que a reforma depende, entre outros fatores, de ajustes legais, capacidade operacional, financiamento e reservas suficientes para dar sustentação ao novo sistema monetário.
A mudança, no entanto, não significa o desaparecimento imediato do dólar da economia somali. O planejamento discutido pelas autoridades prevê a manutenção de um sistema de dupla moeda durante a transição. A expectativa do governo é que a recuperação da credibilidade do xelim facilite pequenas transações, amplie a inclusão financeira e fortaleça a autonomia das instituições monetárias do país. O cronograma definitivo para a entrada das novas cédulas em circulação ainda depende da conclusão das etapas regulatórias, financeiras e operacionais do projeto.




