O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e o secretário de Saúde do país, Robert Kennedy Jr., protagonizaram uma cena bizarra ao anunciarem uma ordem executiva que busca reduzir de 17 para 11 o número de doenças contra as quais a vacinação é recomendada universalmente para crianças no país.
O secretário começou a tremer incontrolavelmente ao detalhar a medida. Enquanto isso, Trump mostrava sua disposição ao dormir sentado na cadeira do presidente. Veja:
That is so much going on here.
Trump sleeping while RFK JR. shakes uncontrollably… pic.twitter.com/tQKgIAMVPv
— Brian Krassenstein (@krassenstein) August 11, 2026
A medida negacionista reforça mudanças promovidas por Kennedy Jr., que haviam sido barradas na Justiça, e provocou críticas de pediatras e especialistas em saúde pública.
“O número de doenças para as quais as vacinas são universalmente recomendadas passou de 17 para 11, e foram estabelecidas categorias distintas de recomendações com base em evidências científicas”, afirmou o secretário ao apresentar a mudança.
Pela nova orientação, vacinas contra Covid-19, rotavírus, gripe, hepatites A e B e meningite bacteriana deixariam de integrar o grupo universal e passariam a depender de decisão clínica compartilhada entre médicos e responsáveis ou de condições específicas de risco. Permaneceriam recomendadas universalmente as imunizações contra sarampo, caxumba, rubéola, difteria, tétano, coqueluche, poliomielite, Hib, doença pneumocócica, HPV e catapora.
Trump voltou a questionar a segurança da vacina combinada durante a assinatura. “Em muitos casos, estamos exigindo 72 picadas para nossas lindas, saudáveis, adoráveis, delicadas criancinhas”, declarou. Ele também afirmou que “grandes quantidades, como tonéis, de vacina estão atualmente sendo bombeadas para o corpo de seu filho”.
A decisão gerou reação inclusive entre republicanos. O senador Bill Cassidy, médico e presidente do Comitê de Saúde, Educação, Trabalho e Pensões do Senado, afirmou que pais deveriam seguir a orientação dos pediatras.
“Os pais deveriam ouvir o pediatra de seus filhos sobre vacinas, em vez de ouvir uma ordem executiva imprecisa. Isso está muito errado”, escreveu Cassidy ao Yahoo.
Especialistas também questionam se a ordem conseguirá produzir as alterações pretendidas. As recomendações de vacinação normalmente passam pelo comitê consultivo do CDC, e exigências para matrícula em escolas são definidas principalmente pelos estados.
A controvérsia ocorre enquanto os Estados Unidos enfrentam forte aumento dos registros de sarampo. Dados divulgados em julho apontavam 1.952 casos da doença em 2026, principalmente entre crianças e adolescentes não vacinados.