Um vídeo mostrou passageiros no Teleférico da Providência durante o vendaval que atingiu o Rio de Janeiro e São Paulo na quarta-feira (29). A ventania provocou interrupções no transporte, quedas de árvores, destelhamentos e falta de energia em áreas dos dois estados.
Os ventos superaram 120 km/h em municípios paulistas e também causaram mortes. A intensidade das rajadas resultou do encontro entre uma massa de ar quente e seco, que predominava no Sudeste, e outra de ar frio e úmido associada a uma frente fria.
O meteorologista César Soares, da Climatempo, explicou que o ar frio e úmido avançou com a frente fria principalmente pelo litoral de São Paulo e do Rio. “O ar mais úmido e frio avançou junto com esse sistema e entrou em choque com o ar mais quente e seco que estava na região”, afirmou.
Esse contraste de temperatura e umidade acelerou os ventos na faixa de contato entre as massas de ar. “Esse contraste entre duas massas de ar de propriedades muito diferentes favoreceu a formação de ventos muito intensos. Na meteorologia, chamamos isso de frente de rajada”, disse Soares.
🚨BIZARRO: Teleférico da Providência balançou severamente no fio de ligação e teve que ficar parado durante ventania e falta de luz pic.twitter.com/uksqbHRsl8
— Rodrigo Luis Veloso (@rodrigoluisvelo) July 29, 2026
Frente de rajada levou ventos intensos ao Sudeste
A frente de rajada forma uma faixa de ventos fortes à frente de uma frente fria ou de uma área de tempestade. O ar frio, mais denso, avança próximo ao solo e empurra o ar quente, criando um deslocamento horizontal que pode alcançar várias cidades em sequência.
O fenômeno pode atingir uma região antes da chuva ou mesmo onde a precipitação é fraca. Ele não se confunde com tornado: enquanto o tornado gira em torno de um eixo e costuma afetar uma área menor, a frente de rajada espalha ventos horizontalmente por uma faixa extensa.
Em São Paulo, a Defesa Civil registrou rajadas de 124,9 km/h em Itaí e Itaporanga, 117 km/h em Taquarituba, 113 km/h em Paranapanema, 111 km/h em Itanhaém e 104,8 km/h em Itaberá. Os maiores valores ficaram concentrados na região de Itapetininga e no litoral paulista.
A passagem do sistema também derrubou a temperatura rapidamente. Em pontos da Região Metropolitana de São Paulo, os termômetros caíram de cerca de 29°C para 20°C ou 21°C em aproximadamente uma hora, com a substituição do ar quente pelo ar frio trazido pela frente fria.