Os ventos intensos que atingiram Rio de Janeiro e São Paulo integraram uma frente de rajada formada a partir do sistema de tempestades que castigou o Rio Grande do Sul. O fenômeno, raro no inverno, teve influência do El Niño, segundo meteorologistas.
Marcelo Seluchi, coordenador de operação do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden), associou o episódio à frente fria estacionária que provocou chuvas fortes no Sul. Para ele, o vendaval é como a “ponta do dedo do longo braço” do El Niño.
As tempestades no Rio Grande do Sul despejaram cerca de 300 milímetros de chuva em cinco dias. Desse sistema se desprendeu uma linha de instabilidade, formada por uma faixa contínua de nuvens de tormenta, cuja dianteira avançou como frente de rajada em direção ao Sudeste.
Seluchi alertou para o volume de chuva em julho, mês normalmente seco, e para a perspectiva de fortalecimento do El Niño na primavera. “Não sabemos, mas não parece estar começando bem”, afirmou o meteorologista.
🚨AGORA: Homens que estavam trabalhando sob um andaime foram pegos de surpresa com a chegada da forte ventania no Condomínio Barra Bali, na Barra da Tijuca, na Zona Sudoeste do Rio de Janeiro.
Ainda não há relato de feridos. pic.twitter.com/F4hX2nYTF4
— DIRETO DO MIOLO (@diretodomiolo) July 29, 2026
Rajadas superaram 124 km/h no interior paulista
A frente de rajada atravessou a Região Sul, passou por São Paulo e chegou ao Rio mais rapidamente que as tempestades e as frentes frias. No interior paulista, uma rajada alcançou 124,9 km/h, acima da velocidade mínima de 119 km/h usada como referência para furacões.
Os ventos não mantêm a mesma intensidade contínua de um furacão, mas ocorrem em pulsos muito fortes. No Rio de Janeiro, a velocidade chegou a 81 km/h durante a passagem do sistema.
Modelos meteorológicos conseguem prever vento forte, mas têm dificuldade para apontar antecipadamente a intensidade e os locais mais atingidos por frentes de rajada. Seluchi classificou esses eventos como “detalhes” dentro de uma situação atmosférica maior, como uma frente fria.
O professor Wallace Menezes, da Universidade Federal do Rio de Janeiro, afirmou que a passagem da frente não deve trazer chuva significativa ao Sudeste e que o tempo tende a abrir no fim de semana. Cientistas não preveem repetição imediata do fenômeno nem indicam que ele ficará mais frequente.