Um vídeo exibido pelo canal argentino C5N mostra a retomada de clubes de troca (clubes del trueque) na província de Buenos Aires. A reportagem acompanha uma feira realizada na região de Villa Stolfi, onde moradores se reúnem para trocar produtos em vez de utilizar dinheiro.
A prática voltou a aparecer em comunidades argentinas como uma alternativa diante da perda do poder de compra e da dificuldade de muitas famílias em manter o consumo com a moeda nacional. O modelo lembra os clubes de troca que se espalharam pelo país durante a crise econômica do início dos anos 2000.
Durante a reportagem, a equipe do C5N conversa com moradores que participam do encontro e apresentam objetos para serem trocados por alimentos, dinheiro ou outros produtos. Um dos participantes leva uma pasta usada, mas em boas condições, e explica que busca uma alternativa para complementar sua renda.
Questionado se estava desempregado, o homem responde que continua trabalhando, mas afirma que o salário não é suficiente para cobrir suas necessidades. “Não, graças a Deus estou trabalhando”, disse. Ao ser perguntado se precisava participar do escambo mesmo tendo emprego, respondeu: “Sim, sim”.
Sobre a renda recebida pelo trabalho, o participante afirmou que o valor não basta para manter sua rotina. “Não, não é suficiente”, declarou. Segundo ele, a troca de produtos representa uma forma de ajuda diante das dificuldades financeiras.
🇦🇷 Argentinos voltam a praticar escambo, trocando produtos assim como a humanidade fazia antes da civilização e no período feudalista. O desastre do neoliberalismo de Milei desvalorizou tanto o peso, que nem os argentinos desejam usar sua própria moeda. pic.twitter.com/Lp9PCcHZg6
— Análise Geopolítica (@AnaliseGeopol) August 9, 2026
A reportagem também perguntou ao morador se ele havia participado dos clubes de troca durante a crise argentina de 2001. Ele confirmou a participação naquele período e comentou sobre a situação atual. “Não, ninguém quer voltar ao escambo. Queremos trabalhar, queremos que sejam criadas s de trabalho. Se você não trabalha, se sente inútil”, afirmou.
Os clubes de troca funcionam por meio de negociações diretas entre moradores, que levam roupas, alimentos, objetos usados e outros produtos para trocar por itens de que precisam. Em alguns casos, também são oferecidos serviços, como pequenos trabalhos e atividades em troca de mercadorias.
A volta dessas iniciativas ocorre em um cenário de dificuldades econômicas na Argentina, marcado pela inflação e pela redução do poder de compra da população. O país já registrou movimentos semelhantes em períodos de crise, especialmente durante a recessão de 2001 e 2002, quando os clubes de troca chegaram a reunir milhares de participantes.
Na reportagem do C5N, os moradores afirmam que o objetivo não é substituir o trabalho formal, mas encontrar uma alternativa temporária para enfrentar as dificuldades. “Sem dinheiro, sem nada, sem zero (como se fosse) uma pessoa sem valor”, afirmou um dos participantes ao explicar o impacto da falta de recursos.