O vendaval que atingiu Rio na tarde de quarta-feira (29) deixou um cenário de destruição que ainda mobiliza equipes de emergência nesta quinta-feira (30). Considerado um evento extremo por autoridades municipais, o fenômeno registrou rajadas superiores a 100 km/h, provocou duas mortes, derrubou dezenas de árvores, interrompeu o fornecimento de energia para milhares de consumidores e afetou praticamente todos os modais de transporte da capital.
Em entrevista ao Bom Dia Rio, da TV Globo, o prefeito Eduardo Cavaliere afirmou que os principais corredores viários da cidade já foram liberados, reduzindo os impactos para a população no início desta manhã.
Segundo ele, permanecem com restrições apenas alguns trechos, como a Rua Visconde Silva, em Botafogo, e a Rua Benedito Hipólito, na região central. “As principais vias e eixos corredores da cidade já restabelecidos com normalidade, o que minimiza o impacto nesse início de dia de trabalho para as pessoas”, afirmou.
Apesar da melhora na circulação, os efeitos da tempestade ainda são sentidos em diferentes pontos da Região Metropolitana. Cerca de 370 mil clientes da Light permanecem sem energia elétrica, enquanto equipes seguem trabalhando para remover árvores caídas, reconstruir trechos da rede elétrica e concluir a limpeza das vias.
Todos os ramais de trens, as três linhas do metrô e o VLT chegaram a interromper a operação durante o vendaval, aeroportos cancelaram e desviaram voos, sinais de trânsito apagaram e congestionamentos se espalharam por diversos bairros.
Mortes e destruição
Em Santa Teresa, na região central da capital, um muro desabou sobre duas pessoas na Rua Júlio Otoni, matando Tássio Maia dos Santos, ex-jogador do Botafogo, e o amigo Vandré Cordeiro. Pouco antes do acidente, crianças brincavam na calçada e escaparam sem ferimentos.
Veja o vídeo:
🚨 TRAGÉDIA EM SANTA TERESA | Ventania interrompeu transporte público, derrubou árvores e deixou moradores sem energia em diferentes regiões do estado. pic.twitter.com/D7pSBWuHKS
— (@agendadopoder) July 29, 2026
Na Baixada Fluminense, uma pessoa ficou gravemente ferida após parte da cobertura de um imóvel desabar em Mesquita. Já em Angra dos Reis, na Costa Verde, um pescador desapareceu no mar durante a passagem da frente fria.
O Centro de Operações e Resiliência (COR-Rio) informou que mais de 50 ocorrências envolvendo queda de árvores foram atendidas durante a madrugada. Ainda assim, o órgão mantinha, nas primeiras horas desta quinta-feira, 27 registros em aberto em diferentes bairros da cidade.
Além das árvores sobre vias públicas, o município contabiliza mais de 30 ocorrências de galhos e troncos sobre a rede elétrica, além da queda de um poste em Bangu.
Energia e transporte ainda sofrem reflexos
Os bairros mais afetados com falta de energia, na capital, são Campo Grande, Bangu, Anchieta, Tijuca, Catumbi, Jacarepaguá, Santa Cruz e Recreio dos Bandeirantes.
O apagão também atingiu o próprio Centro de Operações da Prefeitura. Após o restabelecimento da energia, parte das câmeras de monitoramento permaneceu temporariamente indisponível e diversos sinais de trânsito ficaram apagados.
Os reflexos foram sentidos principalmente no horário de pico, com metrô, trens e VLT paralisados simultaneamente. Pontos de ônibus ficaram lotados e passageiros enfrentaram longas esperas. Em alguns casos, trens ficaram parados entre estações e usuários precisaram caminhar pelos trilhos.
Na Linha 2 do metrô, um passageiro chegou a quebrar a porta de uma composição utilizando um extintor de incêndio, após pessoas passarem mal na composição.
Nesta quinta-feira, BRT, ônibus, metrô e barcas operam normalmente. Apenas o ramal Saracuruna ainda apresenta restrições, com intervalos maiores e necessidade de baldeação na estação Campos Elíseos.
Rajadas acima do previsto
Dados do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) e da Rede de Meteorologia do Comando da Aeronáutica (Redemet) mostram que a maior rajada foi registrada no Aeroporto Internacional do Galeão, onde o vento atingiu 105,6 km/h. Também houve registros de 95,4 km/h na Marambaia, 90 km/h em Seropédica, 88,6 km/h em Paraty, 87,5 km/h na Vila Militar e 82 km/h em Jacarepaguá.
Ao Bom Dia Rio, Eduardo Cavaliere afirmou que a intensidade do fenômeno superou as previsões meteorológicas disponíveis.
“A cidade do Rio de Janeiro tem cerca de 11 estações que medem esse vento, três municipais, três do Instituto Nacional de Meteorologia e outras cinco relacionadas aos aeroportos. E de fato, ontem, o aviso que foi feito no início da tarde era um aviso de ventos muito menos intensos do que acabaram acontecendo, então realmente foi um evento extremo relacionado a esse super El Niño, mais intenso do que estava previsto pelas estações”, alegou.
O fenômeno ocorre quando o aquecimento das águas superficiais do Oceano Pacífico ultrapassa 2°C, potencializando eventos climáticos extremos em diferentes partes do planeta. Segundo a Organização Meteorológica Mundial (OMM), há previsão de fortalecimento do evento ao longo do segundo semestre, com pico entre novembro e fevereiro.
Há novos riscos nesta quinta-feira?
Segundo a Climatempo, a frente fria responsável pelo vendaval já se afastou para o oceano e não há previsão de novas rajadas extremas nesta quinta-feira.
A expectativa é de ventos fracos a moderados, com rajadas de até 50 km/h entre a Região dos Lagos e o Norte Fluminense. Ao longo do dia, a nebulosidade deve aumentar, com possibilidade de chuva fraca e isolada, sem previsão de grandes acumulados. A temperatura máxima prevista é de 28°C.