A crise institucional na Fifa ganhou um novo capítulo com a decisão da Uefa de manter a pressão pela saída imediata de Gianni Infantino da presidência da entidade. Mesmo após , a federação europeia considera insuficientes as explicações e continua ameaçando boicotar competições organizadas pela Fifa caso o cartola permaneça no cargo.
Segundo informações divulgadas pela imprensa britânica, dirigentes do futebol europeu seguem mobilizados para reunir apoio político capaz de afastar Infantino ou viabilizar a candidatura de um novo presidente. A movimentação também conta com representantes da Concacaf, confederação que reúne as federações da América do Norte, Central e Caribe.
Plano abandonado ampliou desgaste
O estopim da crise foi o anúncio, em 28 de julho, da criação da Fifa Forward Enterprise, subsidiária que administraria os direitos comerciais das principais competições da entidade, incluindo a Copa do Mundo. A proposta previa a venda de 20% a 30% da empresa para investidores privados, como forma de captar cerca de US$ 4,2 bilhões (aproximadamente R$ 21,5 bilhões).
Os recursos financiariam um programa de repasses às 211 federações filiadas à Fifa. No entanto, a iniciativa provocou forte reação de diversas confederações, especialmente da Uefa, que criticaram a falta de transparência no processo e demonstraram preocupação com a possibilidade de ativos estratégicos do futebol mundial serem negociados com investidores privados.
Diante da repercussão negativa, a Fifa recuou e retirou oficialmente a proposta em 31 de julho. Dias depois, enviou uma carta às associações nacionais reconhecendo falhas na condução do projeto e pedindo desculpas pelo episódio.
Uefa mantém desconfiança
Apesar da retratação, a Uefa considera que as condições para encerrar o impasse não foram atendidas. De acordo com o canal Sky News, a entidade europeia segue sustentando a possibilidade de não disputar torneios organizados pela Fifa caso não haja mudanças na presidência.
Outro fator que amplia a pressão é a intenção da Uefa de encomendar uma avaliação independente sobre suspeitas de que os direitos comerciais das competições poderiam ter sido negociados abaixo do valor de mercado. As dúvidas recaem sobre os termos da proposta apresentada durante o projeto da FFE.
Em resposta às críticas, a Fifa afirmou que reconheceu erros na condução do processo, mas ressaltou que não aceitará novos ataques à sua integridade. Nos bastidores, a mensagem foi interpretada como um recado aos dirigentes que articulam a substituição de Infantino.