O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ameaçou disputar um quarto mandato na Casa Branca durante o jantar da Associação de Correspondentes da Casa Branca, na sexta-feira (24), em Washington. A declaração chamou atenção porque a Constituição americana limita um presidente a dois mandatos e impede uma nova candidatura presidencial dele em 2028.
“Para mostrar o quanto me importo com a imprensa e salvar a audiência de vocês, quero anunciar minha intenção de concorrer a um quarto mandato como presidente dos Estados Unidos”, disse Trump diante de jornalistas, autoridades e convidados do evento.
Trump afirmou que já venceu três disputas eleitorais e sustentou que uma nova campanha seria fácil. “Estou ficando muito bom em concorrer à Presidência. Fiz isso três vezes e fui muito bem na segunda”, declarou. Ele venceu oficialmente as eleições de 2016 e 2024; em 2020, o democrata Joe Biden derrotou o republicano, que contesta o resultado e alega fraude eleitoral sem apresentar provas.
Durante o discurso, o presidente voltou a questionar a segurança do sistema eleitoral americano e disse que o país precisa “melhorar” seus processos de votação. Ele também ironizou a cobertura da imprensa sobre seu governo: “Às vezes, eu acho que alguns de vocês não gostam de mim”. Em seguida, afirmou ter lido um relatório segundo o qual recebe “93% de cobertura negativa” e perguntou: “Como diabos eu consegui vencer a eleição com tanta folga?”.
Ataque anterior levou evento a novo hotel e segurança reforçada
O jantar ocorreu sob forte esquema de segurança porque a edição anterior, marcada para abril, terminou interrompida por um ataque a tiros. Na ocasião, um homem armado tentou entrar no salão, trocou tiros com agentes do Serviço Secreto na entrada, Trump deixou o local às pressas e jornalistas se esconderam sob as mesas.
Para a nova data, o Serviço Secreto reforçou a proteção no entorno do hotel, isolou ruas da região e montou um perímetro de segurança. A cerimônia também saiu do Washington Hilton e foi transferida para o Waldorf Astoria; os organizadores afirmaram que o hotel menor permite controle mais rígido da entrada dos convidados.
O atirador foi identificado como Cole Allen, californiano de 31 anos. Ele se declarou inocente das acusações do Ministério Público, incluindo tentativa de assassinato do presidente. Antes do jantar remarcado, a secretária de imprensa da Casa Branca, Karoline Leavitt, afirmou que Trump estava ansioso para “terminar o que começou antes que uma tentativa de assassinato desprezível interrompesse o evento original”.
Trump abandonou o tom de provocações ao falar sobre o conflito com o Irã. Ele afirmou que os ataques americanos causaram perdas severas à nação persa: “Nós atingimos o Irã com muita força. A Marinha deles praticamente deixou de existir. A Força Aérea também foi destruída. Eles perderam cerca de 250 aviões de combate e 159 embarcações”. O republicano disse que Teerã voltou a conversar com Washington, mas que ainda não vê condições para um acordo.
O presidente também citou suas disputas com a imprensa. Seu governo retirou a Associated Press do grupo de jornalistas com acesso privilegiado à Casa Branca e restringiu o acesso de profissionais ao Pentágono, sob a justificativa de proteger informações sensíveis e reforçar a segurança. No Salão Oval, Trump defendeu intimações federais contra jornalistas do “New York Times”, depois retiradas, e disse: “Não estamos atrás dos jornalistas. Estamos atrás dos vazadores de informações”. Centenas de jornalistas veteranos e oito organizações profissionais assinaram uma carta pedindo que a Associação de Correspondentes da Casa Branca condene ações classificadas por eles como ataques à Primeira Emenda, que protege a liberdade de expressão e de imprensa nos EUA.