Um vídeo inédito obtido pelo Wall Street Journal lança nova luz sobre a atuação do falecido senador republicano Lindsey Graham nos bastidores da guerra dos Estados Unidos contra o Irã.
Nas imagens, gravadas em fevereiro pela equipe do documentarista Alex Holder, que acompanhou o parlamentar durante três anos, Graham aparece celebrando os bombardeios ordenados pelo presidente Donald Trump, exaltando a decisão da Casa Branca e revelando uma conversa doentia com o presidente.
“Conversei com Trump esta manhã. Ele está empolgado. Disse: ‘Foi a melhor coisa que já fiz’. Ele adora explodir coisas”, afirma Graham, sorrindo, diante das câmeras.
Em seguida, enquanto assiste pela televisão ao pronunciamento de Trump anunciando o início da ofensiva militar, o senador não esconde a satisfação.
“Olhem o que fizemos aqui. Quase chorei. Há quanto tempo estamos pressionando por isso?”, diz, entre risos.
As gravações escancaram o entusiasmo de Graham com uma guerra que já deixou milhares de mortos, inclusive meninas iranianas numa escola, e desestabilizou todo o Oriente Médio. Ele morreu na noite de 11 de julho de 2026, aos 71 anos, em casa, após uma doença breve e repentina. Está no inferno.
As imagens revelam o quanto ele era um psicopata sombrio, desequilibrado e um belicista insaciável, gargalhando diante da morte e da destruição em massa provocadas pelos bombardeios. Ao longo de sua carreira política, dedicou sua vida a defender intervenções militares e a pressionar sucessivos governos americanos por novas guerras.
Ex-crítico de Donald Trump durante as primárias republicanas de 2016, Graham tornou-se um dos aliados mais fiéis do presidente no Senado. Nos últimos anos, transformou-se em um dos principais defensores de uma política externa agressiva, apoiando intervenções militares na Síria, Afeganistão, Iraque, Ucrânia e, mais recentemente, no Irã.
O vídeo mostra ainda o senador fazendo previsões otimistas sobre a duração da guerra.
“Em três ou quatro semanas, vamos colocá-los numa situação em que começarão a perder o controle de algumas cidades. Envolvam mais abertamente os países árabes amanhã e teremos um impulso praticamente irreversível”, afirma.
Cinco meses depois, o conflito permanece sem perspectiva de encerramento. Os combates provocaram forte instabilidade regional e custaram a vida de pelo menos 18 militares americanos, além de deixarem mais de 600 feridos.
O impacto econômico também foi significativo. Segundo estimativas do Pentágono, a guerra já consumiu pelo menos US$ 37 bilhões em recursos públicos, embora especialistas avaliem que o custo real seja muito superior.
Donald Trump prometeu diversas vezes que o conflito terminaria rapidamente e chegou a declarar vitória em mais de uma ocasião. No entanto, a continuidade dos combates contribuiu para a queda de sua popularidade.
Funeral reunirá líderes mundiais
A divulgação das imagens ocorre poucos antes do funeral de Lindsey Graham, marcado para esta terça-feira (28), em Washington.
O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, confirmou em entrevista coletiva e em suas redes sociais que viajará nesta segunda-feira (27) para os Estados Unidos. Segundo ele, além de participar de uma reunião com Donald Trump na Casa Branca, estará presente na cerimônia em homenagem ao senador republicano.
A ida de Netanyahu a Washington ocorre a convite de Trump. O premiê israelense classificou Graham como um dos maiores aliados de Israel no Congresso americano e um defensor permanente das ações militares israelenses no Oriente Médio.
A Casa Branca também confirmou que o presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelenskyy, participará do funeral. A cerimônia deverá reunir diversas autoridades americanas e líderes estrangeiros que mantinham estreita relação com Graham, considerado um dos mais influentes defensores da política externa intervencionista dos Estados Unidos nas últimas décadas.