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Trivia Trens: conheça a empresa que privatizou CPTM e mergulhou SP no caos

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Trivia Trens: conheça a empresa que privatizou CPTM e mergulhou SP no caos

A Trivia Trens, concessionária que assumiu oficialmente a operação das linhas 11-Coral, 12-Safira e 13-Jade da antiga CPTM na última terça-feira (21), deixou o caos na Grande São Paulo e não tem previsão para normalizar os serviços. A empresa faz parte do grupo Comporte Participações, do empresário Nenê Constantino, da família fundadora da Gol Linhas Aéreas, e também controla a Tic Trens, administradora da Linha 7-Rubi.

Com o compromisso de investir R$ 14,3 bilhões ao longo de 25 anos, a concessionária venceu o leilão promovido pelo governador do estado, Tarcísio de Freitas (Republicanos), em março de 2025 e agora transporta quase 1 milhão de passageiros por dia, além de administrar o Serviço Expresso Aeroporto, que liga a Barra Funda ao Aeroporto Internacional de Guarulhos.

Sócio condenado por homicídio

Controlador do grupo Comporte, Constantino possui um histórico criminal marcado por condenações por homicídio. Em 2017, ele foi condenado pelo Tribunal do Júri de Taguatinga (DF) a 13 anos de prisão por ordenar a morte de Tarcísio Gomes Ferreira, com quem disputava terras no Distrito Federal, em fevereiro de 2001.

Vanderlei Batista Silva e João Alcides Miranda, envolvidos na execução, receberam penas de 13 e 15 anos, respectivamente. O crime teve motivação considerada torpe, para favorecimento financeiro de Constantino, e as penas foram aumentadas. Miranda ainda recebeu dois anos adicionais por um disparo que atingiu um passante.

Em maio, Constantino foi condenado pela primeira vez em outro processo, pela morte de Márcio Brito, líder comunitário, também em 2001. A pena foi de 16 anos e seis meses de prisão, além de multa de R$ 84 mil, por homicídio e corrupção de testemunha. Ele também respondeu a um terceiro processo por assassinato, sendo acusado de ser mandante da morte do então genro, mas foi absolvido em 2015.

Caos nas linhas privatizadas e intervenção da PM

Três dias após a privatização, os passageiros enfrentam uma rotina de caos para embarcar, seguir nos trens e até acessar as estações. Nesta quinta-feira (23), a Polícia Militar precisou intervir para ajudar passageiros a deixarem as linhas.

O Globocop, da TV Globo, registrou soldados da PM auxiliando uma fila de passageiros da Linha 12-Safira a pularem um muro com ajuda de um caminhão, na Avenida Celso Garcia, embaixo do Viaduto Alberto Badra. Os policiais também ajudaram idosos com mobilidade reduzida a escalarem um barranco para deixar os trilhos.

Policiais ajudam passageiros a saírem dos trens das linhas 12-Safira, 11-Coral e 13-Jade, após falha na operação da Trivia Trens https://t.co/Bnk77TpJo9 #g1 pic.twitter.com/GE4GcoGjyl

— g1 (@g1) July 23, 2026

Imagens também mostram a explosão de um trem da Linha 12-Safira na manhã desta quinta, por volta das 6h, na Zona Leste. Passageiros gravaram o momento em que uma chama surge do lado de fora da composição, enquanto gritos e correria tomam conta do vagão.

O diretor de operações da Trivia, Paulo Ferreira, afirmou que um possível curto-circuito em um dos trens desligou subestações de energia e provocou a paralisação. A explosão deixou um vagão carbonizado por dentro e por fora, mas não houve feridos.

Passageiros gravam momento da explosão de trem na Linha 12-Safira da Trivia, que gerou paralisação dos serviços da empresa em SP

Segundo Paulo Ferreira, diretor de operação da Trivia, um possível curto-circuito em um dos trens acabou desligando as subestações de energia que… pic.twitter.com/zzJTf855Ow

— Diário da CPTM (@DiariodaCPTM) July 23, 2026

Falhas recorrentes e ausência de prazo para solução

A concessionária informou que a ocorrência interrompeu o fornecimento de energia no trecho entre as estações Brás e Sebastião Gualberto. A Linha 11-Coral opera parcialmente entre Estudantes e Corinthians-Itaquera, enquanto a Linha 12-Safira, a Linha 13-Jade e o Serviço Expresso Aeroporto permanecem com circulação interrompida.

Para minimizar os impactos, a Trivia acionou o Plano de Apoio entre Empresas em Situação de Emergência (PAESE), com 21 ônibus no trecho entre Bresser-Mooca e USP Leste.

Em entrevista à Globo, o diretor Paulo Ferreira classificou a falha como “complexa” e disse que tudo leva a crer que foi causada por um curto-circuito.

“Estamos fazendo todos os esforços para fazer o mais rápido possível isso, a gente espera uma retomada gradual muito em breve, não consigo cravar o prazo, mas muito em breve”, afirmou, sem dar previsão concreta para normalização. A Artesp informou que apura o caso e fiscaliza as medidas adotadas.

Os últimos dois meses da chamada “operação assistida” de transferência das linhas já haviam sido marcados por aumento de falhas. Na Linha 11-Coral, a mais movimentada da rede, foram registradas pelo menos 11 falhas entre junho e julho, com alta de 275% no primeiro semestre de 2026 em comparação ao mesmo período de 2025.

A concessionária assumiu a operação com o compromisso de incorporar 15 novos trens à frota de 92 composições e melhorar a infraestrutura, mas os primeiros dias de gestão expõem desafios que a empresa ainda não conseguiu superar.

Em São Paulo, primeiro dia de operação privatizada das linhas 11, 12 e 13 da CPTM. Assim está a estação do Brás. Um oferecimento: Tarcísio de Freitas, o canalha. pic.twitter.com/pDTfVhUPu9

— Sâmia Bomfim (@samiabomfim) July 22, 2026

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