A decisão do PP de permanecer neutro no primeiro turno da disputa presidencial impôs um revés ao senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência, que tentava iniciar a campanha oficial com uma aliança ampla de centro-direita.
Integrantes do PP e do União Brasil afirmam que a neutralidade busca preservar poder de negociação para 2027. As duas siglas, que têm algumas das maiores bancadas do Congresso, querem manter interlocução com qualquer vencedor da eleição e negociar espaço na Esplanada, influência na pauta legislativa e apoio nas disputas pelas presidências da Câmara e do Senado.
A posição da federação União Brasil-PP se consolidou depois de uma reunião da cúpula do PP na noite de terça-feira (21), em Brasília. Como os dois partidos formalizaram uma federação partidária, a decisão do PP leva o União Brasil ao mesmo caminho no primeiro turno.
A campanha de Flávio ainda tentou reverter o cenário. O presidente do PL, Valdemar Costa Neto, ofereceu à senadora Tereza Cristina (PP-MS) a vaga de vice na chapa presidencial, mas ela recusou o convite. Aliados dizem que a parlamentar prefere concentrar esforços na disputa pela presidência do Senado em 2027.
Relação com PP e Republicanos pesa na montagem da chapa
A articulação também perdeu força por causa do desgaste entre Flávio e parte da direção do PP. Interlocutores de Ciro Nogueira afirmam que o presidente do partido se incomodou com o distanciamento do senador após a operação da Polícia Federal que teve Ciro como alvo na investigação envolvendo o Banco Master.
A neutralidade da federação vale, por enquanto, apenas para o primeiro turno. Dirigentes das siglas querem esperar o resultado das urnas para avaliar quais candidatos chegarão fortalecidos e quem terá melhores condições de formar uma base de sustentação no Congresso.
O Republicanos também indica preferência por não se comprometer agora, embora ainda converse com a campanha de Flávio. A economista Daniella Marques, ex-presidente da Caixa Econômica Federal e recém-filiada ao partido, segue como o nome preferido do senador para a vaga de vice; as tratativas incluem acordos regionais e apoio cruzado em disputas estaduais.
As declarações recentes de Flávio questionando a segurança das urnas eletrônicas provocaram incômodo em lideranças do Centrão. Interlocutores avaliam que o senador voltou a adotar um discurso associado ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), enquanto dirigentes esperavam uma candidatura com perfil menos radical.