O governo de Pernambuco decretou situação de emergência em 27 cidades após as fortes chuvas que atingem o estado desde sexta-feira (1º), deixando ao menos seis mortos e mais de 1.600 pessoas desabrigadas na Região Metropolitana do Recife. A medida foi publicada em edição extra do Diário Oficial neste sábado (2) e terá validade de 180 dias.
De acordo com o balanço oficial, o cenário é considerado crítico, com registros de deslizamentos de terra, alagamentos e resgates em áreas de risco. O Corpo de Bombeiros realizou mais de 800 salvamentos, enquanto milhares de moradores foram afetados diretamente pelos temporais.
A governadora Raquel Lyra afirmou que o decreto é essencial para acelerar ações emergenciais e garantir suporte federal às cidades atingidas.
Segundo ela, o foco inicial foi salvar vidas, e agora o trabalho se concentra no atendimento às vítimas. Entre as medidas adotadas estão a distribuição de itens básicos e a abertura de espaços públicos para acolhimento.
“Primeiro era o resgate e salvamento das pessoas. Agora estamos com ajuda humanitária, distribuição de colchões, mantimentos e apoio às famílias, além da abertura de escolas para abrigar os desabrigados”, declarou.
O impacto das chuvas em Pernambuco é expressivo:
- 807 pessoas resgatadas
- 1.601 pessoas desabrigadas
- 1.389 desalojadas
- 27 abrigos ativados
Para atender a população, o governo estadual enviou:
- 1.354 colchões
- 2.158 lençóis
- 504 kits de limpeza
- 404 kits de higiene
As seis vítimas fatais foram registradas em diferentes cidades da Grande Recife:
- Recife (Dois Unidos): uma mulher de 24 anos e seu filho de 6 morreram após deslizamento. Uma bebê de 1 ano e 6 meses, também da família, morreu no hospital.
- Olinda (Passarinho): uma jovem de 20 anos e seu bebê de 6 meses morreram soterrados.
- São Lourenço da Mata: um homem de 34 anos morreu afogado durante inundação.
O decreto inclui municípios da Região Metropolitana do Recife e da Zona da Mata, como Recife, Olinda, Jaboatão dos Guararapes, Paulista, Igarassu, Goiana, Vitória de Santo Antão e outras localidades afetadas.
As fortes chuvas voltam a expor a vulnerabilidade de áreas urbanas em Pernambuco, especialmente regiões com ocupação irregular e risco de deslizamentos. Episódios semelhantes já causaram tragédias nos últimos anos, principalmente durante períodos de chuva intensa.
Especialistas apontam que fatores como urbanização desordenada e falhas na drenagem urbana agravam os efeitos das tempestades.
Com o decreto em vigor, o estado poderá acessar recursos federais e agilizar ações emergenciais. A prioridade segue sendo o atendimento às famílias afetadas e a prevenção de novos desastres.
A Defesa Civil mantém monitoramento contínuo, enquanto autoridades alertam para o risco de novos temporais nos próximos dias.