A apuração sobre a acusação de estupro de vulnerável contra Alfredo Gaspar (PL-AL), escolhido como candidato a vice-presidente na chapa de Flávio Bolsonaro (PL-RJ), entrou em uma nova fase. O ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou diligências adicionais solicitadas pela Procuradoria-Geral da República, e a Polícia Federal pretende enviar o material reunido à Corte na próxima semana. Com informações do Estadão.
A medida ainda não representa a abertura formal de um inquérito contra o parlamentar. Depois de receber os resultados das diligências, a PGR deverá avaliar o material e se manifestar a favor ou contra a instauração da investigação. A decisão final caberá a Gilmar Mendes, relator do procedimento no Supremo.
A acusação foi levada à Polícia Federal pela senadora Soraya Thronicke (PSB-MS) e pelo deputado Lindbergh Farias (PT-RJ). Os parlamentares afirmam que Gaspar teria cometido estupro contra uma adolescente de 13 anos há oito anos e que a vítima teria engravidado. Atualmente, segundo a denúncia, a jovem teria 21 anos, e a criança, 8.
Soraya e Lindbergh dizem ter encaminhado à PF conversas, gravações e informações sobre uma suposta tentativa de comprar o silêncio da vítima. Segundo os parlamentares, um intermediário teria feito um pagamento de R$ 70 mil, enquanto outros R$ 400 mil estariam em negociação. As alegações ainda não foram comprovadas judicialmente.
O STF também pediu esclarecimentos complementares aos dois autores da notícia-crime. Em nota, Soraya afirmou que a providência é regular e integra o curso da apuração. Os parlamentares disseram que prestarão as informações solicitadas pelas autoridades.
Alfredo Gaspar afirma que a acusação é uma retaliação ao relatório que apresentou na CPMI do INSS e sustenta que o episódio citado pelos parlamentares envolveria um primo dele. Sua defesa apresentou um perfil genético do deputado e informou que ele está disposto a realizar um novo exame de DNA.
O avanço da apuração ocorre um dia depois de Gaspar ser anunciado como vice de Flávio Bolsonaro na disputa pela Presidência. A campanha decidiu manter a composição apesar da acusação. Até o momento, o deputado não foi denunciado, não se tornou réu e ainda não é investigado formalmente pelo suposto crime.