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Cacique Cobra Coral volta a ser contratado pelo Rio antes de ventos de 110 km/h

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Cacique Cobra Coral volta a ser contratado pelo Rio antes de ventos de 110 km/h

Em meio à previsão de ventos de até 110 km/h no estado, a Prefeitura do Rio voltou a recorrer à Fundação Cacique Cobra Coral (FCCC) para tentar minimizar os impactos de fenômenos climáticos na cidade. O novo acordo de consultoria foi firmado pela GeoRio nesta quinta-feira (6) e terá duração de 25 anos, com validade até 2051.

A parceria, que não terá custos para os cofres municipais, foi assinada no fim da tarde pelo presidente da GeoRio, Anderson de Andrade Marins. O extrato do contrato será publicado na edição desta sexta-feira do Diário Oficial do Município.

A fundação é comandada pela médium Adelaide Scritori, que afirma incorporar o espírito do Cacique Cobra Coral. A entidade atribui ao espírito a capacidade de interferir nas condições meteorológicas para reduzir os efeitos de fenômenos naturais.

A retomada da parceria acontece num momento de alerta no Rio. A previsão indica rajadas que podem chegar a 110 km/h em algumas regiões do estado até domingo. Na semana passada, outra ventania atingiu 105 km/h no Galeão, provocou estragos em diferentes pontos da cidade e deixou duas pessoas mortas após o desabamento de um muro em Santa Teresa.

Procurado, o prefeito Eduardo Cavaliere não comentou o novo acordo.

Acordo vai até 2051

O novo contrato prevê uma relação de longo prazo entre a GeoRio e a Fundação Cacique Cobra Coral.

Segundo o documento, a parceria tem como finalidade “minimizar a ocorrência de possíveis fenômenos climáticos” na cidade.

O texto estabelece ainda obrigações para a administração municipal. A GeoRio deverá manter a fundação informada sobre situações climáticas adversas e comunicar o encerramento das ocorrências.

“Até 24 horas após a solução das adversidades climáticas, a GeoRio, via mensagem de correio eletrônico enviará à FCCC posição geral da situação assistida, para que a mesma suspenda a operação iniciada, com vista à cessação da situação informada”, estabelece um dos artigos do acordo.

Apesar da duração de 25 anos, a parceria não prevê pagamento à fundação.

Fundação havia rompido parceria

A retomada ocorre menos de um ano depois de a própria Fundação Cacique Cobra Coral romper unilateralmente sua consultoria com a prefeitura.

No fim do ano passado, a entidade alegou descumprimento das condições estabelecidas no acordo anterior.

Uma das exigências era o envio de relatórios atualizados sobre intervenções realizadas pelo poder público para reduzir os efeitos de eventos climáticos adversos.

Essa obrigação reaparece no novo convênio firmado com a GeoRio.

A iniciativa de restabelecer a parceria partiu do secretário municipal da Casa Civil, Leandro Matieli, que procurou Osmar Santos, porta-voz da fundação e marido de Adelaide Scritori.

Fundação promete priorizar o Rio

Osmar Santos afirmou que a entidade pretende reativar uma subsede na Barra da Tijuca e concentrar parte de suas atividades no Rio e em São Paulo.

“O Rio é um antigo parceiro, Adelaide inclusive recebeu um título de Cidadã do Rio pelo ex-vereador Eider Dantas. Na próxima semana, vamos reativar a subsede da FCCC na Barra da Tijuca e ficaremos na ponte aérea Rio-São Paulo. Por isso vamos dar um tempo com nossos parceiros da China e dos Estados Unidos e cuidar do Rio e de São Paulo”, afirmou o porta-voz.

Adelaide Scritori afirma incorporar o espírito do Cacique Cobra Coral. Segundo as crenças difundidas pela entidade, o espírito teria vivido anteriormente como personagens históricos como Galileu Galilei e Abraham Lincoln.

A fundação ganhou notoriedade por participar, ao longo dos anos, de grandes eventos sob a alegação de atuar sobre as condições meteorológicas.

Entre os episódios mencionados estão os Jogos Olímpicos, a Copa do Mundo, o réveillon de Copacabana e grandes apresentações realizadas na cidade.

Adelaide também esteve em Copenhague, em 2009, durante a escolha da sede dos Jogos Olímpicos de 2016, posteriormente concedidos ao Rio.

Parceria atravessa décadas

A relação entre a Prefeitura do Rio e a Fundação Cacique Cobra Coral começou há mais de três décadas.

Os primeiros convênios foram celebrados durante a gestão de Cesar Maia, ainda em seu primeiro período à frente do município, entre 1993 e 1996.

A parceria chegou a ser colocada em dúvida no fim de 2008. Durante a transição para a primeira administração de Eduardo Paes, Luiz Guaraná, que assumiria a Secretaria de Obras, anunciou que o acordo não seria renovado por considerá-lo desnecessário.

A posição mudou pouco depois.

Após acompanhar durante uma madrugada as consequências de uma forte tempestade na cidade, Paes decidiu manter a relação com a fundação.

Agora, a parceria ganha um novo capítulo justamente quando o Rio volta a enfrentar alertas de condições meteorológicas severas.

Na semana passada, rajadas chegaram a 105 km/h no Galeão. A ventania provocou diferentes transtornos na cidade e duas pessoas morreram após o desabamento de um muro em Santa Teresa.

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