O Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Distrito Federal (SJPDF), a Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj) e a Comissão Nacional de Mulheres Jornalistas da Fenaj repudiaram as declarações de Paulo Figueiredo contra profissionais da imprensa e a jornalista Míriam Leitão. As entidades cobraram providências das autoridades e classificaram as falas como misóginas, criminosas e ofensivas à liberdade de imprensa.
Em transmissão realizada na terça-feira (28), o influenciador chamou jornalistas de “putas pagas” e “prostitutas de alma”. Ele também afirmou que preferiria ser apresentado às filhas como “gigolô” do que como jornalista, enquanto criticava a imprensa e a publicidade estatal destinada a veículos de comunicação.
Paulo Figueiredo ainda disse que Míriam Leitão “não merecia ser estuprada”. A referência retoma uma frase de Jair Bolsonaro que levou à condenação judicial do ex-presidente por danos morais contra a deputada federal Maria do Rosário.
Na nota divulgada nesta quarta-feira (29), as organizações afirmaram que “a gravidade dessa fala não pode ser minimizada”. Para as entidades, os ataques atingem profissionais da imprensa e os valores democráticos ligados ao exercício do jornalismo.
🚨 ABSURDO! O bolsonarista Paulo Figueiredo, aliado de Flávio Bolsonaro, chamou jornalistas da GloboNews de “putas e prostitutas” e voltou a fazer uma fala de apologia ao estupro ao afirmar que a jornalista Miriam Leitão “não merece ser estuprada”. Revoltante. 🤮🤡 pic.twitter.com/l2LlNAYtRF
— coringapolitico (@coringapolitico) July 28, 2026
Entidades lembram tortura sofrida por Míriam Leitão
O comunicado destacou que Míriam Leitão foi presa e torturada pela ditadura militar quando estava grávida. As entidades afirmaram que usar uma referência ao estupro contra a jornalista representa “um acinte à memória das vítimas da tortura e à história de luta pela democracia no Brasil”.
SJPDF, Fenaj e Comissão Nacional de Mulheres Jornalistas apontaram que as declarações se inserem em uma sequência de investidas de Paulo Figueiredo contra integrantes da imprensa. O documento pede medidas “imediatas e rigorosas” e defende a responsabilização do influenciador.
As organizações também manifestaram solidariedade às jornalistas atacadas. “Não aceitaremos que o exercício do jornalismo seja transformado em alvo de ameaças e ultrajes”, diz o texto assinado pelas entidades.
Na semana anterior, Paulo Figueiredo classificou como “genial” a fala de Bolsonaro sobre a deputada Maria do Rosário (PT-RS), além de defender a risada do ex-presidente diante dos relatos da deputada Jandira Feghali (PCdoB-RJ) sobre ameaças de estupro.
No início do mês, o influenciador provocou desgaste na pré-campanha presidencial de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) ao afirmar que mulheres “votam mal”, em meio a comentários sobre uma crise partidária envolvendo Michelle Bolsonaro. Flávio se pronunciou para dizer que não concordava com a avaliação.