A ala democrata do Comitê de Relações Exteriores do Senado dos Estados Unidos acusou o governo Donald Trump de espalhar teorias conspiratórias sobre a eleição presidencial brasileira. A reação ocorreu após a revelação de uma missão destinada a levantar dúvidas sobre a imparcialidade e a integridade do sistema eleitoral do Brasil.
“Propagar conspirações eleitorais não torna os Estados Unidos mais seguros. Isso corrói a confiança em nossa democracia internamente e afasta nossos amigos no exterior”, afirmou o perfil oficial dos democratas do comitê.
A manifestação foi motivada pela tentativa do governo Trump de enviar Riley Barnes e Samuel Samson a Brasília. Os dois funcionários do Departamento de Estado planejavam se reunir com autoridades, líderes religiosos e representantes da sociedade civil para discutir, entre outros temas, a chamada “integridade eleitoral”.
Peddling election conspiracies doesn’t make America safer. It erodes trust in our democracy at home and drives our friends away abroad. https://t.co/eAV3V6otJQ
— Senate Foreign Relations Committee (@SFRCdems) July 28, 2026
O Itamaraty negou os vistos sete dias antes da viagem, prevista para ocorrer entre 27 e 30 de julho. O governo brasileiro avaliou que a agenda poderia ser usada para lançar suspeitas sobre as urnas eletrônicas e produzir interferência externa na disputa presidencial.
O Departamento de Estado chamou a suspeita de interferência de “mentira sem fundamento” e apresentou a missão como uma visita rotineira. A reportagem que revelou a viagem, porém, afirmou que Barnes e Samson foram escolhidos para questionar a confiança no sistema eleitoral brasileiro.
A declaração não representa todo o Comitê de Relações Exteriores, formado também por uma maioria republicana. O posicionamento partiu da bancada democrata, liderada pela senadora Jeanne Shaheen, e expôs uma divisão dentro do próprio Congresso estadunidense sobre a política de Trump para o Brasil.
A ofensiva ocorre depois de Flávio Bolsonaro repetir acusações falsas contra as urnas durante um encontro com diplomatas estrangeiros. O candidato também recebeu apoio explícito de Trump, enquanto integrantes de sua campanha tentam apresentar o sistema eleitoral como suspeito antes mesmo da votação.
Desde a adoção das urnas eletrônicas, em 1996, não foi comprovada fraude capaz de alterar o resultado de uma eleição brasileira. Para os senadores democratas, a tentativa de exportar as teorias conspiratórias que marcaram a política de Trump nos Estados Unidos também prejudica as relações com países aliados.