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Senador dos EUA diz que Trump deseja interferir nas eleições do Brasil

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Senador dos EUA diz que Trump deseja interferir nas eleições do Brasil

O senador democrata Tim Kaine, da Virgínia, afirmou que o Brasil tem uma “razão legítima” para desconfiar de uma possível tentativa dos Estados Unidos de influenciar a eleição presidencial de 2026. Em entrevista à Folha, ele disse que Donald Trump tem um “favorito muito claro” na disputa brasileira e torna essa preferência evidente por meio de suas ações.

Kaine evitou afirmar que Washington já interfere diretamente no processo eleitoral brasileiro, pois considera essa formulação “forte demais”. Ainda assim, criticou a postura de Trump e resumiu sua posição: “O Brasil é dos brasileiros. Devemos deixar que o Brasil faça suas próprias escolhas nas eleições”.

O senador relacionou a cautela brasileira à negativa de vistos para dois funcionários do Departamento de Estado que viajariam ao país. O governo Lula alegou risco de que a visita fomentasse uma tentativa de intervenção eleitoral, e Kaine disse compreender a preocupação, embora tenha ressaltado que não há como concluir que os servidores adotariam conduta imprópria.

Para o democrata, a decisão de Trump de usar tarifas contra o Brasil ao mencionar o processo contra o ex-presidente Jair Bolsonaro ajudou a alimentar as suspeitas. Kaine afirmou que medidas oficiais acompanhadas de críticas ao Judiciário brasileiro e de referências a Bolsonaro ultrapassam, em sua avaliação, “a linha do aceitável”.

Tarifas de Trump e dificuldade de reação no Senado

Vice-presidente da subcomissão do Senado que trata do Hemisfério Ocidental, Kaine também atacou as tarifas impostas por Trump ao Brasil. Ele classificou a política como “completamente ilógica” e levantou a hipótese de que as medidas tenham motivações “potencialmente até corruptas”, diante do superávit comercial americano na relação bilateral.

Segundo Kaine, tarifas funcionam como impostos e elevam os custos para famílias e empresas dos Estados Unidos. Ele afirmou que uma guerra comercial tende a provocar respostas recíprocas e prejudicar exportadores americanos, enquanto o Brasil busca ampliar negociações comerciais com a China por meio do Mercosul.

O senador liderou uma iniciativa para barrar a sobretaxa de 40% aplicada ao Brasil sob a Lei de Poderes Econômicos de Emergência Internacional. Ele disse que cinco republicanos se uniram aos democratas para repreender Trump, mas a Suprema Corte derrubou as tarifas baseadas nesse instrumento e o governo passou a usar a seção 301, cuja contestação pelo Congresso é mais difícil.

Kaine votou na Comissão de Relações Exteriores a favor da indicação do republicano Daniel Perez para a Embaixada dos Estados Unidos em Brasília. Ele disse que o voto não representa apoio à política externa de Trump, mas defendeu que o posto não continue vago, como ocorre desde janeiro de 2025; caso Perez integre um pacote de nomeações no plenário, o senador afirmou que poderá votar contra o conjunto por causa de outros indicados.

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