Um projeto de lei apresentado na Câmara dos Deputados visa fortalecer a Lei de Improbidade Administrativa, especialmente após o caso que envolveu o empresário Daniel Vorcaro. A proposta, apresentada pelo deputado federal Chico Alencar (PSOL-RJ), busca expandir as hipóteses de improbidade para agentes públicos que recebem benefícios pessoais financiados por pessoas físicas ou jurídicas com interesses junto aos Poderes da República.
Na justificativa do projeto, o parlamentar destaca explicitamente o caso de Vorcaro, afirmando que o financiamento de hospedagens, viagens, refeições e outras vantagens para detentores de mandato eletivo configura um conflito de interesses incompatível com o exercício da função pública.
A proposta define como ato de improbidade administrativa o recebimento, por parte de parlamentares e ocupantes de mandato eletivo, de hospedagem, passagens aéreas, transporte, refeições ou qualquer outro benefício pessoal financiado por pessoas ou empresas que mantenham interesses perante os Poderes Executivo, Legislativo ou Judiciário.
De acordo com Chico Alencar, o objetivo é reforçar os mecanismos de integridade e evitar que vantagens privadas comprometam a independência dos agentes públicos. Além disso, o projeto estabelece novas regras para a posse de dinheiro em espécie por agentes públicos, determinando que valores superiores a dez salários mínimos devem ser declarados e sua origem comprovada, sob pena de responder por improbidade administrativa.
A proposta também prevê a possibilidade de bloqueio cautelar de recursos durante a apuração dos fatos e a perda definitiva dos valores após condenação judicial. Ao defender a alteração da legislação, Chico Alencar argumenta que episódios envolvendo benefícios custeados por pessoas com interesses perante o poder público evidenciam a necessidade de fortalecer os mecanismos de controle e transparência, citando diretamente o caso de Daniel Vorcaro como exemplo de conflito de interesses incompatível com o exercício do mandato parlamentar.