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Prisão de Márcio Canella é mantida pela Justiça após flagrante em operação da PF

Ex-prefeito permanecerá preso e será transferido para Bangu 8 após audiência de custódia; investigação da Polícia Federal apura suposto esquema bilionário de lavagem de dinheiro envolvendo rede de postos de combustíveis e agentes políticos.

Expresso Rio
Imagem: Reprodução

A Justiça decidiu manter, nesta quarta-feira (8), a prisão de Márcio Canella, detido em flagrante durante a sexta fase da Operação Unha e Carne, deflagrada pela Polícia Federal. Após passar por audiência de custódia, foi determinada sua permanência no sistema prisional, com transferência para o Presídio Pedrolino Werling de Oliveira, no Complexo de Gericinó, unidade conhecida como Bangu 8.

A prisão ocorreu durante o cumprimento de mandados judiciais relacionados à operação que investiga um suposto esquema de lavagem de dinheiro envolvendo uma rede de postos de combustíveis instalada na Região Metropolitana do Rio de Janeiro.

Segundo a Polícia Federal, durante as diligências os agentes localizaram um fuzil calibre .556 no interior do veículo utilizado por Canella. O ex-prefeito afirmou que a arma não lhe pertencia, versão que deverá ser analisada ao longo da investigação e da instrução processual.

De acordo com a Polícia Federal, a Operação Unha e Carne busca desarticular uma organização suspeita de utilizar empresas do setor de combustíveis para movimentar recursos de origem supostamente ilícita.

Segundo a apuração, as investigações apontam que o grupo teria movimentado aproximadamente R$ 7,6 bilhões ao longo dos últimos anos por meio de operações financeiras consideradas suspeitas.

Conforme informações divulgadas pela corporação, a estrutura investigada seria composta por empresários, operadores financeiros e pessoas que, segundo os investigadores, exerciam influência política para favorecer os interesses da organização.

Nesta sexta etapa da operação, além dos mandados de busca e apreensão, foram realizadas medidas cautelares determinadas pela Justiça com base nos elementos reunidos durante a investigação.

Inicialmente, Márcio Canella era alvo apenas de mandado de busca e apreensão.

Entretanto, após a prisão em flagrante pela suposta posse ilegal de arma de fogo de uso restrito, a Polícia Federal informou que ele também passou a ser investigado por um possível vínculo com a organização criminosa.

Em nota oficial, a corporação afirmou que Canella seria investigado como um suposto “braço político” do grupo investigado.

Segundo a PF, essa hipótese faz parte das linhas de investigação e será submetida à análise da Justiça durante o andamento do processo. Até o momento, não há condenação relacionada a essa suspeita.

A audiência de custódia é um procedimento previsto na legislação brasileira que ocorre pouco tempo após uma prisão em flagrante.

Nessa etapa, um juiz analisa se a prisão foi realizada dentro da legalidade, verifica possíveis irregularidades e decide se o investigado responderá ao processo em liberdade, terá medidas cautelares impostas ou permanecerá preso.

No caso de Márcio Canella, o magistrado optou por manter a prisão, decisão que resultou em sua transferência para o sistema penitenciário estadual.

O Presídio Pedrolino Werling de Oliveira, conhecido popularmente como Bangu 8, integra o Complexo Penitenciário de Gericinó, na Zona Oeste do Rio de Janeiro.

A unidade é conhecida por receber presos envolvidos em investigações de grande repercussão, especialmente casos ligados à criminalidade organizada, corrupção, lavagem de dinheiro e crimes praticados por agentes públicos ou empresários.

A administração da unidade é de responsabilidade da Secretaria de Estado de Administração Penitenciária (Seap).

Outro investigado também foi alvo da operação

Além de Márcio Canella, a sexta fase da Operação Unha e Carne teve como alvo o delegado Marcus Amim, ex-secretário estadual de Polícia Civil.

Contra ele foram cumpridos mandados judiciais autorizados pela Justiça no âmbito da mesma investigação.

Até o momento, as autoridades não divulgaram detalhes adicionais sobre a participação atribuída aos demais investigados, em razão do andamento do inquérito.

A Operação Unha e Carne teve início a partir de investigações financeiras conduzidas pela Polícia Federal para identificar possíveis mecanismos de ocultação de patrimônio e circulação de recursos considerados suspeitos.

Segundo registros oficiais, as diligências vêm sendo ampliadas em diferentes fases, com cumprimento de mandados, coleta de documentos, apreensão de equipamentos eletrônicos e análise de movimentações financeiras.

As autoridades ainda trabalham na identificação de possíveis beneficiários do esquema e na individualização das condutas atribuídas a cada investigado.

Até a publicação desta matéria, não havia sido divulgada manifestação pública da defesa de Márcio Canella sobre a decisão que manteve sua prisão após a audiência de custódia.

O espaço permanece aberto para eventual posicionamento.

Nos próximos dias, a investigação deverá prosseguir com a análise do material apreendido durante a operação, realização de perícias e eventual apresentação de novas medidas judiciais, enquanto o Ministério Público e a Polícia Federal dão continuidade à apuração dos fatos que deram origem à Operação Unha e Carne.

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