O PP anunciou nesta sexta-feira (31) que ficará neutro na eleição presidencial, decisão que cria um obstáculo para a entrada da senadora Tereza Cristina (PP-MS) como vice na chapa do pré-candidato Flávio Bolsonaro (PL). Após a nota do partido, Flávio afirmou que respeita a posição, mas declarou: “Sou brasileiro, não desisto nunca.”
Flávio tratou a ex-ministra da Agricultura como seu “sonho de consumo” para a composição. O presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, articula a aproximação e conta com pressão de empresários ligados ao agronegócio para levar a senadora à campanha.
A neutralidade defendida pelo PP depende também da federação formada com o União Brasil. Dirigentes nacionais das duas siglas sinalizaram preferência por liberar os diretórios estaduais para negociarem alianças conforme as disputas locais, em vez de fechar um apoio nacional à candidatura do PL.
A resistência tem ainda um componente político: o presidente do PP, Ciro Nogueira, se afastou de Flávio após o senador demarcar distância dele diante das investigações da Polícia Federal sobre o caso Master. Ciro, que integrou o governo de Jair Bolsonaro, chegou a figurar entre os nomes cogitados para a vice.
Tereza Cristina afirmou em diferentes momentos que pretendia cumprir o mandato no Senado e disputar a presidência da Casa em 2027. Em 21 de julho, ela negou formalmente a Valdemar Costa Neto o convite para a vice, posição que voltou a expor quando classificou as conversas como especulação.
O cenário mudou depois de uma reunião entre Flávio e a senadora em Brasília, em 29 de julho. No dia seguinte, Tereza reconheceu publicamente que discutira a composição da chapa, mas ressaltou que não havia definição.
Na sexta-feira (31), Flávio disse a jornalistas em São Paulo que havia feito o convite e que Tereza o aceitara, condicionando a confirmação ao avanço das conversas com o PP. Minutos depois, a direção partidária divulgou a nota pela neutralidade na disputa presidencial.
Os partidos têm até 5 de agosto para realizar convenções e decidir candidaturas, apoios ou neutralidade. O prazo para registrar as chapas que disputarão a eleição na Justiça Eleitoral termina em 15 de agosto.