Uma ação envolvendo policiais civis causou tensão na Zona Norte do Rio de Janeiro na manhã de domingo (3). Agentes invadiram um depósito público de veículos no bairro do Andaraí para retirar, à força, um carro que havia sido rebocado durante a operação montada para o show da cantora Shakira, em Copacabana.
De acordo com a Secretaria Municipal de Ordem Pública (Seop), a retirada do veículo ocorreu sem o cumprimento dos procedimentos legais exigidos. Na saída do local, a viatura acelerou em direção ao portão do depósito, derrubando a estrutura e quase atingindo uma agente que trabalhava no local.
Ainda segundo a Seop, servidores municipais relataram agressões e intimidações durante a ação. Um dos momentos mais graves teria sido quando um fuzil foi apontado para um funcionário do depósito.
O carro envolvido na ocorrência é um Nissan Versa prata, que havia sido rebocado por estar estacionado de forma irregular nas proximidades da 12ª Delegacia de Polícia (Copacabana), área que recebeu reforço de fiscalização por conta do evento.
Posteriormente, foi constatado que o veículo era, na verdade, uma viatura descaracterizada da Polícia Civil, sem identificação visual, utilizada em operações investigativas.
Informações indicam que policiais da 60ª DP (Campos Elíseos) foram até o local em uma viatura oficial e realizaram a retirada do automóvel sem seguir os trâmites administrativos exigidos para liberação.
A operação de ordenamento na cidade foi intensificada devido ao grande público esperado para o show de Shakira em Copacabana, um dos principais eventos recentes no Rio de Janeiro. Durante esse tipo de ação, veículos estacionados irregularmente são removidos para depósitos municipais.
Casos envolvendo conflitos entre forças de segurança e órgãos municipais não são comuns, mas quando ocorrem, costumam gerar repercussão e investigação interna.Em nota, a Seop afirmou que o caso foi registrado na Corregedoria da Polícia Civil como transgressão disciplinar e manifestou solidariedade aos servidores envolvidos. Já a Polícia Civil informou que a Corregedoria-Geral (CGPOL) abriu apuração para investigar a conduta dos agentes.
A instituição reforçou que não tolera desvios de comportamento e destacou o compromisso com a legalidade e o combate ao crime. O caso segue sob investigação e pode resultar em sanções administrativas.