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PF aponta CPFs de mortos em esquema de bets

3 min de leitura Expresso Rio
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A Polícia Federal identificou o uso de 549 CPFs de pessoas mortas em documentos de operações financeiras ligadas à Pixbet, investigada na Operação Arena por suspeitas de evasão de divisas e lavagem de dinheiro por meio de apostas esportivas. A ação alcançou a Paraíba, São Paulo e outros três estados.

Na representação enviada à Justiça Federal, a PF afirma que registros usados em movimentações com destino a um paraíso fiscal estavam associados a pessoas falecidas, algumas há mais de 20 anos. Os dados teriam atribuído uma identidade falsa a terceiros em operações de câmbio não autorizadas.

O sistema que autoriza a compra de moeda estrangeira, o ACAM, enviou um alerta ao Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) após detectar irregularidades. Mesmo depois da notificação à Anspace, instituição de pagamento usada pelo grupo Pixbet, os CPFs permaneceram nas transações, segundo os investigadores.

A PF declarou que ainda não sabe como os registros das pessoas mortas foram obtidos e utilizados. O documento, porém, aponta indícios de que a empresa não teria atuado apenas como vítima de fraude documental, mas como agente ativo no suposto esquema.

Operação apura remessas para empresa em Curaçao

A Operação Arena investiga um grupo empresarial suspeito de usar estruturas societárias e financeiras no exterior para ocultar a origem e o destino de recursos obtidos com jogos de azar e apostas esportivas. Polícia Federal, Ministério Público da Paraíba e Receita Federal participam da investigação.

Os investigadores descrevem um suposto circuito de remessas ao exterior por empresas de compensação financeira. Os valores provenientes das apostas seguiriam para uma empresa de fachada em Curaçao, sem funcionários ou atividade econômica, segundo a PF.

Após receber o dinheiro, os sócios da empresa pediriam pagamentos respaldados por notas fiscais emitidas em Curaçao por serviços que não teriam sido prestados. Os recursos retornariam ao Brasil como pagamento por supostos serviços contratados fora do país, com aparência de origem lícita.

Ernildo Júnior, dono da Pixbet, foi abordado por agentes federais em Campina Grande enquanto estava em um carro. Os policiais apreenderam o veículo e o celular dele em cumprimento a mandado de busca e apreensão.

O Ministério da Fazenda determinou a suspensão imediata das operações da Pixbet, com cancelamento das apostas em curso e devolução dos valores aos usuários. A defesa da empresa afirmou que não teve acesso à decisão que autorizou a operação, disse ter sido “pega de surpresa” e informou que se manifestará após conhecer o conteúdo do processo.

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