O presidente Lula afirmou nesta sexta (14) que tenta marcar uma nova conversa com Donald Trump para mandá-lo “não se meter” nas eleições brasileiras. Candidato à reeleição, o petista disse que pretende tratar diretamente com o americano da relação entre os dois países.
Em entrevista aos podcasts “Não Inviabilize” e “As Cunhãs”, Lula afirmou que quer uma reunião “tête-à-tête” com Trump. “E vou dizer: ‘Não se meta nos negócios do Brasil e, sobretudo, na questão da eleição’. Eu nunca me meti nas eleições dos EUA, ninguém vai se meter aqui”, declarou.
Lula disse considerar Trump “o melhor de todos eles”, ao se referir a integrantes do governo dos Estados Unidos, e afirmou que o republicano conversa com ele de forma mais séria. O presidente brasileiro voltou a atacar o secretário de Estado, Marco Rubio, e disse já ter informado a Trump que Rubio “não gosta do Brasil e não gosta da América Latina”.
O presidente também relacionou a crise diplomática às tarifas impostas pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros. Lula afirmou que o governo federal iniciou na véspera o processo para aplicar a Lei de Reciprocidade Econômica e acusou os EUA de construírem “inverdades contra o Brasil”.
▶️ Lula diz estar tentando falar com Trump: “quero uma conversa tête-à-tête com ele”
O presidente afirmou que barrou visto de assessores americanos e busca contato direto com Trump para pedir que os EUA não interfiram na eleição brasileira. pic.twitter.com/Uld4JFHA0Y
— Pesquisas Eleições (@EleicaoBr2026) August 14, 2026
O presidente ainda citou o clã Bolsonaro e disse que qualquer tentativa de influenciar a disputa eleitoral terá resposta nas urnas: “Quem vier dar palpite na eleição aqui nesse país vai perder”.
Lula declarou que o Itamaraty só dará o aceite para Daniel Perez, indicado por Washington como embaixador dos Estados Unidos no Brasil, após as eleições. Ele questionou a pressa da gestão Trump para enviar um representante a menos de 45 dias do pleito, depois de o posto ter ficado sem embaixador por um ano e seis meses.
A indicação de Perez ampliou a tensão entre Brasília e Washington. Após a resistência brasileira ao nome indicado, o governo Trump cancelou o visto da embaixadora do Brasil em Washington, Maria Luiza Viotti.
O presidente afirmou que o Brasil não dispõe do mesmo poderio militar dos Estados Unidos, mas disse que responderá às medidas americanas com argumentos políticos. “Eu não tenho bomba atômica. O que é que eu tenho? A verdade. E eu vou vencer os Estados Unidos pela narrativa”, declarou, ao acusar Washington de taxar produtos brasileiros com base em mentiras.
Lula afirmou ainda que pretende dar prioridade à soberania e à defesa nacional em um eventual quarto mandato, com proteção das fronteiras, dos minerais críticos e das terras raras. Nos últimos meses, o presidente reduziu entrevistas à mídia tradicional e passou a priorizar conversas com comunicadores digitais, como podcasts e videocasts.




