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PF aponta ‘betcóptero’ e repasses de R$ 9,8 milhões em investigação sobre Nelson Wilians

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PF aponta ‘betcóptero’ e repasses de R$ 9,8 milhões em investigação sobre Nelson Wilians

A Polícia Federal investiga a ligação do advogado Nelson Wilians com empresários do setor de apostas online e apontou um helicóptero Airbus EC 130 T2, apelidado de “betcóptero”, como um dos elementos da apuração. Documentos reunidos na Operação Arena também registram dois pagamentos que somam R$ 9,8 milhões, feitos pela PixStar ao escritório do advogado.

Agentes cumpriram mandado de busca e apreensão na casa de Wilians, em São Paulo, na quinta-feira (13), por ordem da Justiça Federal da Paraíba. A investigação mira um grupo empresarial do Nordeste suspeito de usar estruturas societárias e financeiras no exterior para ocultar recursos ligados a jogos de azar e apostas esportivas.

O relatório da PF indica que Rubens Sobrinho Rodrigues Prudente cedeu a aeronave ao escritório de Wilians por um ano, em 11 de agosto de 2023, sob a forma de empréstimo. Nas buscas em documentos de Ernildo Junior de Farias Santos, fundador e líder operacional do grupo PixBet, os investigadores encontraram um contrato de compra e venda do helicóptero.

O contrato, datado de 28 de outubro de 2024, prevê a compra da aeronave pelo escritório Nelson Wilians Advogados por US$ 5,5 milhões. O acordo estabelecia uma entrada de US$ 550 mil e outras nove parcelas de igual valor.

PF apura uso de aeronave e pagamentos da PixStar

A PixStar, apontada como empresa de fachada do grupo em Curaçao, transferiu R$ 4,8 milhões ao escritório em 24 de julho de 2023 e R$ 5 milhões em 18 de agosto daquele ano, conforme os comprovantes apreendidos. Uma nota fiscal de serviços relativa ao helicóptero, que indicava o escritório como operador, saiu em nome da EJFS Negócios e Participações, empresa de Ernildo Junior.

Para a PF, a propriedade, a associação e o uso da aeronave aproximam o grupo PixBet do escritório de advocacia. Os investigadores suspeitam de confusão patrimonial e apuram se Wilians atuou em operações destinadas a ocultar bens de clientes.

A Operação Arena cumpriu 17 mandados de busca e apreensão na Paraíba, em São Paulo, Sergipe, Rio de Janeiro e Paraná. A 4ª Vara Federal da Paraíba também autorizou quebras de sigilos bancário e telemático e o sequestro de até R$ 1,1 bilhão; os investigados podem responder por evasão de divisas, lavagem de dinheiro e crimes contra o sistema financeiro.

Representado pelo advogado Santiago Schunck, Wilians afirmou que a relação de seu escritório com a PixBet “é estritamente profissional e decorre da prestação de serviços de advocacia”. A defesa declarou que a atuação dos advogados não se confunde com as atividades empresariais dos clientes e repudiou “qualquer tentativa de associar a atuação profissional de seus advogados às atividades ou condutas atribuídas a seus clientes”.

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